Força-tarefa destrói 22 bunkers do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé
Ação do Governo Federal em Mato Grosso apreendeu uma tonelada de explosivos e prendeu mais de 50 pessoas em esconderijos sofisticados debaixo da terra
Uma operação conjunta do Governo Federal, que já se estende por mais de um mês na Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, revela a sofisticação das táticas empregadas pelo garimpo ilegal na região. Agentes da Polícia Federal, Ibama, Funai, Força Nacional e Ministério da Defesa localizaram e destruíram, até o momento, 22 bunkers construídos debaixo da terra. Essas estruturas subterrâneas, camufladas para enganar a fiscalização, serviam como depósito de mantimentos, peças de maquinário e materiais perigosos.
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Imagens exclusivas obtidas pela Band mostram o interior desses esconderijos, onde a força-tarefa encontrou cerca de mil quilos de explosivos.
A quantidade elevada de material inflamável e detonante ficava armazenada nesses bunkers, evidenciando o risco e o investimento logístico da atividade criminosa dentro do território indígena. Além do material bélico, as estruturas abrigavam geradores, motores, geladeiras e freezers, funcionando como centros de apoio logístico para a extração mineral.
Sofisticação e avanço do crime organizado
As construções subterrâneas chamam a atenção pela complexidade técnica. De acordo com Nilton Tubino, coordenador da operação, as estruturas são escoradas com madeiras e possuem dimensões que permitem que uma pessoa permaneça em pé em seu interior.
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Tubino classifica a tática como uma novidade no cenário do garimpo ilegal, destacando que a camuflagem externa torna os locais praticamente imperceptíveis a olho nu, exigindo rastreamento minucioso por parte dos agentes.
O impacto ambiental na Terra Indígena Sararé é severo. Levantamentos realizados durante a operação indicam que cerca de 6% da área total da reserva já sofreu danos diretos causados pelo garimpo.
A pressão sobre o território aumentou consideravelmente nos últimos meses, impulsionada pela valorização do preço do ouro no mercado internacional. O cenário atrai a presença de grupos ligados ao crime organizado, que operam em áreas remotas do Mato Grosso sob forte estrutura de vigilância e ocultação.
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A repressão ao garimpo na região resultou, apenas nos dois primeiros dias de incursão, na prisão de mais de 50 indivíduos. O monitoramento da área não é recente; o Jornal da Band acompanha a situação da Terra Indígena Sararé desde outubro do ano passado, quando apresentou flagrantes da atividade criminosa e da degradação da mata nativa.
A cadeia do ouro ilegal extraído nessas terras segue para grandes centros urbanos, onde o metal é fundido e comercializado sem qualquer controle de origem ou fiscalização tributária.
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