Brasil

Fundador da Evergrande pega prisão perpétua na China por fraude

Hui Ka Yan recebe pena máxima após colapso de incorporadora que deixou dívida de US$ 300 bilhões e abalou a economia chinesa

2 min

20/08/2026 20:37 • Atualizado há 11 dias

A Justiça da China condenou à prisão perpétua o empresário Hui Ka Yan, fundador da gigante imobiliária Evergrande, após processo criminal por fraudes financeiras e desvios de recursos no país asiático. A decisão judicial ocorre anos após a derrocada da companhia, que entrou em colapso e deixou 1,5 milhão de famílias sem os imóveis adquiridos na planta.

Continua depois da publicidade

A sentença em primeira instância determinou ainda a aplicação de multas que somam cerca de R$ 11 bilhões e o confisco integral do patrimônio pessoal do empresário, que tem 67 anos. A defesa do fundador ainda pode recorrer da decisão aos tribunais superiores.

Outros 56 réus ligados ao conglomerado imobiliário receberam condenações na mesma ação judicial, com penas fixadas em patamares mais brandos pelas autoridades de Pequim.

A apuração judicial apresentada pelo Jornal da Band detalha que Hui Ka Yan foi considerado culpado de crimes corporativos graves, incluindo fraude continuada, captação ilegal de investimentos financeiros, desvio bilionário de recursos e suborno. O réu havia admitido a responsabilidade pelos atos no mês de abril.

Continua depois da publicidade

O empresário, que já ocupou a posição de homem mais rico de toda a Ásia em 2017, construiu um império comercial a partir de 1996, data da fundação da Evergrande. Na época de maior valorização das ações, o patrimônio declarado do executivo alcançou o patamar de US$ 45 bilhões, impulsionado pelo acelerado crescimento do setor habitacional chinês. O modelo financeiro da companhia sustentou a expansão por meio de sucessivas operações de endividamento bancário e vendas antecipadas de projetos antes do início das construções.

A derrocada da empresa começou a se acentuar em 2020, quando o governo central de Pequim endureceu as exigências fiscais para frear a alavancagem de grandes grupos econômicos e controlar o mercado residencial.

A partir do ano seguinte, a Evergrande acumulou calotes sistemáticos no mercado financeiro global. O passivo total do grupo atingiu a marca de mais de US$ 300 bilhões em débitos não honrados com fornecedores, investidores e compradores. A quebra da empresa deixou canteiros de obras paralisados em diversas cidades chinesas, desencadeando protestos de compradores lesados e crises de liquidez no sistema bancário.

Continua depois da publicidade

O impacto do colapso habitacional continua a pressionar os principais índices econômicos chineses. No país, a compra de imóveis representa o destino primordial da poupança das famílias, e a queda nos investimentos do setor já registra recuo de 19% ao longo deste ano.

Seguir a Band no Google

Tópicos relacionados

Fundador da Evergrande pega prisão perpétua na China por fraude