Isolamento extremo marca rotina em presídio federal onde está líder do PCC
Detentos vivem sob regras rígidas, passam 22 horas por dia nas celas e só reduzem a pena por estudo e leitura
Os presos mais perigosos do Brasil vivem sob uma rotina de isolamento extremo nas penitenciárias federais de segurança máxima. Eles permanecem 22 horas por dia dentro das celas, têm apenas duas horas de banho de sol, recebem seis refeições diárias no próprio alojamento e não têm acesso a relógios ou qualquer objeto que permita acompanhar o tempo.
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Na Penitenciária Federal de Brasília, principal unidade de segurança máxima do País e onde está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefão do PCC, o rígido sistema de controle faz parte da estratégia adotada pelo Governo Federal para impedir a comunicação entre líderes de facções criminosas e evitar fugas.
A unidade é comandada por Amanda Teixeira, de 39 anos, primeira mulher a dirigir um presídio federal de segurança máxima no País. À frente da administração, ela lidera a equipe responsável pela custódia dos criminosos considerados de maior periculosidade no Brasil. Segundo a diretora, a missão do sistema é atuar de forma preventiva diante da evolução das organizações criminosas.
Nosso papel aqui é justamente pensar à frente do crime organizado no Brasil
Construída em uma área de mais de 12,3 mil metros quadrados, a penitenciária nunca registrou uma fuga desde a inauguração. Além da estrutura física, o sistema adota o rodízio de detentos entre as cinco unidades federais como estratégia para dificultar a criação de vínculos e a articulação de ações criminosas.
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A segurança começa antes mesmo da entrada no complexo. O acesso é protegido por dez camadas de barreiras, com fossos, cercas, grades e sistemas de controle projetados para impedir invasões ou tentativas de resgate. Os muros têm nove metros de altura e contam com fundações que chegam a 16 metros de profundidade, dificultando a escavação de túneis.
Do lado de dentro, o cenário contrasta com a imagem tradicional dos presídios. As instalações são limpas, organizadas e seguem protocolos rigorosos de manutenção. Para a diretora, essa organização faz parte da estratégia de segurança.
"Desde o quesito limpeza, desde o quesito acessos, assistências, eles geram um equilíbrio para que a gente possa manter o sistema rígido tal qual o que foi projetado no sistema da penitenciária federal", explica.
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A rotina dos detentos é controlada em todos os detalhes. Eles permanecem isolados nas celas durante praticamente todo o dia e só deixam o espaço para o banho de sol. As refeições são entregues diretamente nas celas, e os internos são obrigados a manter roupas e objetos pessoais em bom estado de conservação.
Também não há atividades laborais dentro da unidade. A única forma de reduzir o tempo de cumprimento da pena é por meio do estudo e da leitura. Para obter a remição, o preso precisa concluir a leitura de uma obra e apresentar uma resenha que seja aprovada.
O sistema penitenciário federal foi criado em 2006, com a inauguração da primeira unidade de segurança máxima, em Catanduvas, no Paraná. Atualmente, o País conta com cinco presídios federais, sendo o de Brasília o mais recente. Um projeto para a construção da sexta unidade, prevista para o Rio Grande do Sul, ainda não foi executado.
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Os protocolos de segurança foram reforçados após a fuga inédita de dois presos da Penitenciária Federal de Mossoró, em 2024. Desde então, o sistema ampliou os procedimentos de inspeção e integração entre os órgãos de segurança pública.
Para o diretor da Polícia Penal Federal, Marcelo Stona, o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação conjunta das forças de segurança. o combate ao crime organizado depende da atuação conjunta das forças de segurança.
“O trabalho integrado, o objetivo é comum. Não é uma força, uma polícia, outra polícia que vai resolver o problema. É a união de esforços que vai fazer com que isso aconteça."
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A atuação dos policiais penais federais também teve consequências fora dos presídios. Ao longo dos últimos 20 anos, quatro agentes foram executados em ataques atribuídos ao crime organizado.
Segundo o sistema, os atentados ocorreram como retaliação às medidas que restringem a comunicação entre chefes de facções e integrantes das organizações criminosas em liberdade.
Após os ataques, os protocolos de proteção aos policiais penais também foram reforçados. Segundo Stona, a resposta do sistema foi endurecer ainda mais o cumprimento das penas.
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"Após ataques, houve um recrudescimento na forma de execução penal no sistema penitenciário federal. Se o crime tentar avançar, nós temos como avançar também e recrudescer o regime de cumprimento de pena", diz.
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