Brasil

Má conservação e falta de socorro na BR-324 castigam motoristas na Bahia

Principal rodovia entre Salvador e o interior sofre com abandono após passar para gestão do DNIT; serviço de socorro médico foi suspenso temporariamente

2 min

21/04/2026 07:00 • Atualizado há 132 dias

A BR-324, principal eixo de ligação entre Salvador e o interior da Bahia e rota estratégica para a economia do Nordeste, tornou-se palco de insegurança e prejuízos para quem nela trafega. Motoristas e caminhoneiros relatam quilômetros de asfalto precário, falta de iluminação e o agravamento de um problema logístico: a suspensão do serviço de ambulâncias e socorro médico na via.

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A rodovia é vital para o escoamento de produção do Porto de Aratu, que concentra 60% da carga marítima do estado, além de ser o principal acesso ao Polo Industrial de Camaçari. O complexo abriga quase 100 empresas dos setores químico, petroquímico e têxtil, que dependem diretamente da fluidez e segurança da estrada para o transporte de insumos e produtos.

Perigos na pista e abandono operacional

Relatos revelam a rotina de riscos enfrentada pelos usuários. Caminhoneiros descrevem manobras constantes para evitar buracos que causam desde a perda de pneus e suspensões até o tombamento de veículos de carga. "A gente tem que, o tempo todo, desviar para não perder o pneu. Tem acontecido muito tombamento por conta desses buracos", afirma o caminhoneiro Carlos Alberto Santos Oliveira.

A situação piorou após a rodovia deixar de ser administrada por uma concessionária privada e passar para a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Além da buraqueira e da iluminação deficitária, o órgão federal suspendeu o serviço de ambulâncias após o fim do contrato com a empresa prestadora.

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Impasse burocrático e o feriado de Tiradentes

O vácuo na prestação de serviço de emergência ocorre em um momento crítico. Segundo o DNIT, a nova licitação para contratar o atendimento médico só deve ser concluída na próxima sexta-feira. O prazo preocupa os usuários, já que o restabelecimento do socorro ocorrerá somente após o aumento do fluxo de veículos esperado para o feriado de Tiradentes.

O órgão informou que a contratação de serviços e a operação da rodovia são centralizadas em Brasília, o que impacta a agilidade das soluções locais. Enquanto os processos administrativos seguem os trâmites na capital federal, motoristas como José Carlos dos Santos lamentam os prejuízos mecânicos e físicos. "Caía em cada barroca que chegava a doer no juízo. Cortando pneu e acabando com tudo", relata.

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