Moraes libera acesso de defesa de jornalista a inquérito no STF
Repórter que denunciou uso de carro oficial por familiares do ministro Flávio Dino é alvo de investigação por suposta perseguição
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou que os advogados do jornalista Luís Pablo tenham acesso ao inquérito que apura um suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. O profissional de imprensa entrou na mira das investigações após publicar reportagens sobre a utilização de um veículo oficial do Judiciário maranhense por parentes do magistrado.
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Em outubro de 2025, familiares de Dino foram filmados utilizando um automóvel blindado pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) para deslocamentos em São Luís. O veículo foi adquirido com recursos do Fundo de Segurança dos Magistrados (Funseg), cuja legislação restringe o uso exclusivamente a juízes e desembargadores estaduais.
Em nota, a assessoria de Flávio Dino negou qualquer irregularidade e informou que o carro blindado foi cedido a pedido da Secretaria de Segurança do STF devido a ameaças. No entanto, o ofício encaminhado pela Suprema Corte ao TJ-MA solicitava apenas o apoio de dois agentes de segurança para o ministro e familiares, sem requisição formal de veículo. A equipe do magistrado sustentou ainda que as investigações apontaram acesso ilegal a dados sigilosos e monitoramento clandestino de sua família.
Buscas, quebra de sigilo e apreensões
Em março, Luís Pablo foi alvo de uma operação da Polícia Federal determinada por Alexandre de Moraes, tendo celulares e computadores apreendidos. O relatório da PF considerou que a captação de imagens de um carro público sendo utilizado por familiares de servidor viola a privacidade e limita a locomoção de um ministro do STF, enquadrando a apuração jornalística como potencial crime de perseguição.
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As investigações levaram também à quebra de sigilo que identificou como suposta fonte o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim, alvo de mandados de busca em agosto. O episódio levantou debates no meio jurídico sobre a violação do sigilo de fonte profissional, garantia fundamental expressa na Constituição Federal.
Críticas à competência do STF
A condução do caso diretamente pela Suprema Corte foi questionada pelo ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello. Segundo o magistrado aposentado, o processo não deveria tramitar no tribunal superior, mas sim na primeira instância da Justiça.
"Se ele tivesse que prestar contas ao Judiciário, seria na primeira instância e com direito a recurso de revisão. Não há espaço para queima de etapas", destacou Marco Aurélio.
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