Brasil

MP-RJ pede condenação em caso de pessoas infectadas com HIV em transplantes

O caso foi revelado com exclusividade em uma reportagem da BandNews FM Rio de Janeiro, em outubro de 2024

3 min

21/08/2026 16:40 • Atualizado há 57 dias

O Ministério Público do Rio pediu a condenação dos seis réus no caso de contaminação de pacientes com HIV após transplante de órgãos.

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Nas alegações finais, o MP afirma que o PCS Lab Saleme realizava os exames laboratoriais com irregularidades em todas as etapas do serviço, desde a contratação, passando pelo recebimento e identificação das amostras, operação dos equipamentos, controle de qualidade, transcrição dos resultados, conferência, assinatura e até a liberação dos documentos.

O órgão também argumenta que, a partir da contratação pela Fundação Saúde, o laboratório se expandiu rapidamente. Com isso, diversas testemunhas relataram a necessidade de economia de gastos e redução do controle de qualidade da máquina responsável pelos exames de sorologia.

A própria licitação que autorizou o laboratório a operar os exames para o sistema de transplantes está sob suspeita, já que o PCS Lab Saleme ofertou uma proposta com cerca de 37% de desconto, enquanto outros laboratórios ofereceram descontos bem menores.

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Segundo o MP, as investigações revelaram uma busca incessante por lucro, em detrimento à vida humana.

Em 2017, o laboratório foi condenado ao pagamento por danos morais por conta de um laudo errado, que constatou a presença de câncer do colo do útero em uma paciente.Durante outros anos, também foram identificados diversos exames com resultados falsos, entre eles, um gravíssimo relativo à sorologia de HIV em 2023, submetendo uma paciente a coquetéis antivirais e interrompendo a lactação.

O Ministério Público pede a condenação pelos crimes de lesão corporal gravíssima, associação criminosa e falsidade ideológica. Os réus são pai e filho sócios do laboratório, Walter e Matheus Vieira, e funcionários do estabelecimento, Ivanilson Fernandes dos Santos, Adriana Vargas dos Anjos, Cleber de Oliveira Santos e Jacqueline Iris Bacellar de Assis.

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O caso

Em outubro de 2024, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro confirmou que investigava a infecção por HIV de seis pacientes que tinham sido submetidos a transplantes de rins, fígado, coração e córnea. O caso foi revelado com exclusividade pelo jornalismo da Band.

Os pacientes passaram a conviver com HIV após falhas em exames laboratoriais realizados pelo laboratório contratado pela Fundação Saúde, o PCS LAB Saleme. O erro levou ao transplante de órgãos contaminados.

O laboratório PCS Saleme, contratado pelo governo estadual em dezembro de 2023, por intermédio da Fundação Saúde, para fazer exame de sorologia, emitiu laudos fraudulentos, que não acusaram a presença do HIV em órgãos de dois doadores.

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Um dos seis pacientes que recebeu transplante de um órgão infectado pelo vírus HIV morreu em março, segundo informações confirmadas pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A vítima era uma mulher de 64 anos e estava em acompanhamento médico desde a confirmação da infecção.

MP-RJ pede condenação em caso de pessoas infectadas com HIV em transplantes