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O que uma xícara de café pode nos ensinar

Um texto sobre consentimento que eu gostaria de ter lido aos 12 anos

2 min

06/03/2026 20:58 • Atualizado há 175 dias

O que uma xícara de café pode nos ensinar

Aprendi sobre úteros antes de aprender sobre desejo. Quando tive aula sobre reprodução na escola, mais ou menos em 1992, o foco era biológico: doenças, métodos contraceptivos, imagens de pênis, úteros e ovários. Saí da sala sem saber o que fazer com o meu desejo sexual, nem com o do outro. E sem resposta para a pergunta de milhões: "como saber se o outro está a fim de mim?"

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Não foi só a escola que falhou nisso. Historicamente, o "não" feminino não foi tratado como resposta válida, era visto como frescura, joguinho. O resultado é uma sociedade que precisa aprender sobre consentimento do zero, em pleno 2026.

Na cabeça de muitos homens, existem situações em que o consentimento já está dado, independentemente do desejo da mulher. Se ele pagou o jantar, se ela é namorada dele, se ela topou ir até o banheiro do bar, pronto, assunto encerrado. E, nessas situações, muitas mulheres sentem que dizer não pode ser impossível ou até perigoso.

A boa notícia: a palavra "consentimento" está no hype. E a resposta para "será que ela está a fim de mim?" vai ser simples, vai sair da boca dela. Abra os ouvidos.

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Se ainda assim parecer complicado, um vídeo que viralizou no YouTube explica tudo com uma analogia certeira. No original, usam chá. Aqui, vamos de café, que é mais a nossa cara.

Se você pergunta "Você quer café?" e a pessoa diz claramente "sim", ótimo, prepare o café.

Se ela diz "não", você não faz o café. Simples assim.

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Se ela parece insegura, "talvez", "não sei", também não faz o café.

Se ela disse que queria, mas mudou de ideia, você respeita. Ninguém é obrigado a tomar café só porque aceitou antes.

Se ela está dormindo, inconsciente ou incapaz de responder, você não faz o café. E, por favor, não despeja nada na boca de ninguém. (Parece óbvio. Infelizmente, não é.)

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Só porque alguém quis café ontem, não significa que queira hoje.

A analogia é simples porque o conceito também é. O que complica é a cultura que, por séculos, ensinou que o desejo masculino vale mais do que a resposta feminina.

Consentimento não é burocracia. É respeito. É a diferença entre uma experiência boa e um crime.

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Feliz Dia das Mulheres para quem luta, e para quem ainda está aprendendo a escutar.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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