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O reality show de Donald Trump

Presidente dos EUA fez o discurso sobre o Estado da União mais longo da história americana, com 1h47 de duração

4 min

25/02/2026 07:57 • Atualizado há 188 dias

O reality show de Donald Trump

O reality show do presidente Donald Trump, o mais longo discurso sobre o Estado da União da história americana, com 1h47 de duração, foi planejado para estancar a queda de popularidade e a falta de confiança na economia entre seus eleitores. Incluiu estatísticas exageradas, meias-verdades, medalhas para militares heróis e vítimas civis de crimes, lágrimas, a desmoralização da oposição democrata e uma apoteose: a aparição triunfal do time masculino de hockey campeão na Olimpíada da Itália. É como se ele dissesse: a América está ganhando.

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Os congressistas explodiram em aplausos e gritos “USA! USA!” E o veterano de telerrealidade Donald Trump procurou apropriar-se da euforia da vitória, como se fosse dele. A primeira meia-hora foi ocupada pelo mais apelativo que havia no enredo trumpista, porque depois os telespectadores mudam de canal ou desligam a TV. Alguns deputados e senadores foram embora antes do fim. Um deles disse: “Não aguento nem mais um minuto”. Mais que um discurso, ele entabulou uma conversa, às vezes intimista, com a plateia de congressistas e convidados.

Trump falou da primeira-dama Melânia como atriz, embora o filme dela tenha sido patrocinado por Jeff Bezos, da Amazon e do jornal Washington Post. Repetiu que se fosse o presidente em 2022, a Rússia não teria invadido a Ucrânia, esquecido de que prometera acabar com a guerra já no seu primeiro dia depois da posse para o segundo mandato, e lá se foi um ano – e, ontem, ela completou quatro anos. Ah, ele repetiu que acabou com oito guerras mundo afora, incluindo Gaza, que está em cessar-fogo sem paz.

Ele repetiu a tática de cobrar dos democratas que se levantassem e aplaudissem, quando o assunto não fosse partidário. Por exemplo, quando disse: “O primeiro dever do governo americano é o de proteger os cidadãos americanos. Não imigrantes ilegais”. Os republicanos o ovacionaram. A ala da oposição, à esquerda dele, não se moveu. Então, ele atacou: “Não é uma vergonha? Vocês devem se envergonhar por não ficar de pé”. Em outro momento, ele chamou a oposição de “Louca!” Alguns deputados gritaram: “Mentira, Mentira”, para rebater dados sobre imigrantes ilegais.

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“Eu digo a vocês: este povo é doido. Eles são malucos” – repetiu Trump.

O controle do Congresso pelos republicanos depende muito do reality show de ontem. Os temas abordados foram escolhidos em pesquisas para favorecer o governo: imigração, proibição de cirurgias para mudança de sexo para menores, seguro saúde, corte de impostos e economia em geral, com os números às vezes fora do contexto, ou sem comparação com estatísticas anteriores. Exemplo: o preço do ovo e da carne caiu recentemente, mas está 2.1 por cento acima do ano passado. “Uma transformação como nunca se viu antes”. Não faltaram críticas ao antecessor Joe Biden, como em quase todos os discursos.

O deputado Al Green, democrata do Texas, levantou um cartaz em que dizia: “Negros não são macacos”, protestando contra um vídeo que Trump postou, e depois retirou, com os Obama macacos e ele, o leão, rei da selva. Foi retirado do plenário. Trump também atacou como “corruptos” os imigrantes da comunidade da Somália, em Minnesota.

Pouco antes do discurso, o secretário de Estado Marco Rubio brifou a “Gangue dos 8”, quatro democratas e quatro republicanos da Comissão de Relações Exteriores, sobre as negociações com o Irã. O ex-conselheiro do Departamento de Estado, Aaron David Miller, chegou a dizer que Trump poderia anunciar o início da guerra contra o Irã ontem à noite. O senador democrata Shuck Schumer, que participou do briefing, saiu comentando à imprensa: “Olha, isto é sério, e a administração deve levar este caso para o povo americano”.

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Trump descreveu a Venezuela como “parceira e nova amiga.” Foi a primeira referência além dos assuntos internos, sem novidades, como as novas tarifas substituindo o tarifaço considerado ilegal pela Corte Suprema, a fraude dos outros e não as investigadas de seu governo -- ele que perdoou vários condenados por fraude. Não houve nenhuma menção aos lucros de sua família com a presidência. Estavam lá filhos, primeira-dama e genro e uma ausência notável: Elon Musk.

Para o Irã, no nonagésimo minuto do reality show, ele dedicou três minutos. Repetiu que prefere diplomacia que uma guerra. Mas contou que ainda espera ouvir “estas palavras secretas: nós nunca teremos uma arma nuclear”. Os seus generais estavam sentados ao lado dos juízes da Corte Suprema. A armada colossal mobilizada, nas águas do Mediterrâneo e do Golfo Pérsico, nas bases militares do Oriente Médio e em Israel, à espera de uma ordem. A nova e decisiva rodada de negociações está marcada para esta quinta-feira, em Genebra, na Suíça.

O jornal New York Times pediu a seus colunistas que selecionassem o melhor momento di discurso de Trump. Dois escolheram "quando ele acabou".

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