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O repórter, os famosos e a gafe

Eu tinha vinte e poucos anos em 1992 quando fui destacado pela Rádio Tracajá para cobrir um evento de gala em homenagem aos artistas “filhos da terra” que ajuda

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12/08/2026 11:32 • Atualizado há 3 dias

O repórter, os famosos e a gafe

Eu tinha vinte e poucos anos em 1992 quando fui destacado pela Rádio Tracajá para cobrir um evento de gala em homenagem aos artistas “filhos da terra” que ajudaram a elevar o nome de Campinas.

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A noite solene aconteceu no Teatro Castro Mendes, que ficou lotado para receber os famosos.

Entre os homenageados estavam a atriz Regina Duarte e o apresentador Fausto Silva que, apesar de não terem nascido em Campinas, mantinham fortes ligações com a cidade. Os dois estudaram no Colégio Culto à Ciência e Faustão trabalhou como repórter na Rádio Cultura de Campinas.

Também eram esperadas celebridades como a atriz Maitê Proença, que passou a infância e a juventude na cidade, além das campineiras natas Cláudia Raia e Marília Gabriela.

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Cheguei meia hora antes da cerimônia e, com meu gravador Sony TCM-81 em mãos, me sentia no tapete vermelho de Hollywood esperando o momento de falar com as celebridades.

Só que o tempo foi passando e eu não conseguia identificar quase nenhum famoso chegando ao local.

Logo constatei que não era fácil reunir artistas daquele calibre em uma única data. A maioria tinha compromissos com gravações de novelas, filmes ou programas de televisão. Muitos, portanto, haviam mandado representantes.

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Mas minha missão era fazer entrevistas com os homenageados. Decidi me sentar na plateia para observar melhor o movimento.

Enquanto subia lentamente a escada, fui surpreendido pela presença de uma mulher elegante, muito bem vestida e falando com uma voz baixa, quase sussurrada.

Foquei melhor a visão naquele ambiente de penumbra e identifiquei a maravilhosa atriz Eva Wilma.

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Na época, ela interpretava Hilda Pontes na novela Pedra Sobre Pedra, um sucesso estrondoso de Aguinaldo Silva.

Tentei não pular para trás de espanto. Naquela época, havia uma regra quase sagrada: repórter não deveria tietar ninguém. Tinha que fazer o trabalho e pronto.

Eva estava sentada na primeira cadeira da fileira. Foi fácil me aproximar, esticar o gravador e pedir uma palavrinha sobre a homenagem aos artistas.

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Ela me atendeu com a generosidade peculiar e, com a delicadeza de uma verdadeira dama, falou sobre a importância daquele reconhecimento.

Foi então que veio a informação que me desmontou:

Ela estava ali apenas acompanhando o marido, o também ator Carlos Zara, que, este sim, era campineiro.

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Enquanto eu tentava me recuperar da primeira gafe, Carlos Zara, também muito atencioso, aproximou-se e começou a conversar comigo. Respondeu a algumas perguntas e, ao final, agradeci aos dois.

Eu já estava desligando o gravador quando Zara segurou meu punho e disse:

— Fale também com o Walter Forster. Ele também é campineiro e foi quem gravou a primeira cena de beijo na televisão.

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Para não demonstrar desconhecimento sobre o artista citado, respondi imediatamente:

— Claro! Walter Forster. Vou falar com ele. Ele já chegou?

Zara se aproximou ainda mais do meu ouvido e respondeu:

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— Sim. É esse que está aqui do meu lado.

Pronto.

Naquela hora eu não sabia onde enfiar a cara.

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Eu tinha acabado de perguntar quem era Walter Forster enquanto o próprio Walter Forster estava ao meu lado.

Os dois perceberam o meu constrangimento, mas foram extremamente generosos comigo. Forster se levantou, me cumprimentou e também respondeu às minhas perguntas.

Naquela noite, eu havia chegado ao Teatro Castro Mendes preparado para entrevistar algumas celebridades.

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Acabei entrevistando justamente duas pessoas que eu não sabia que estavam ali.

E descobri, naquela noite, uma das regras mais importantes do jornalismo: antes de perguntar quem é o entrevistado, é bom olhar quem está sentado ao seu lado.

Até hoje, quando lembro daquela noite, penso que meu gravador Sony TCM-81 registrou duas entrevistas.

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Mas, se tivesse gravado também a minha cara naquele momento, talvez essa fosse a melhor parte da reportagem.

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