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Oinegue: E se as Casas Bahia fossem uma estatal feito os Correios?

Imagina se as Casas Bahia fossem uma empresa estatal. Você está acompanhando a crise das Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial porque a situação finan

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20/08/2026 23:41 • Atualizado há 11 dias

Imagina se as Casas Bahia fossem uma empresa estatal. Você está acompanhando a crise das Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial porque a situação financeira ficou insustentável. Ela tentou uma recuperação extrajudicial em 2024, mas não resolveu.

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As dívidas chegaram a R$ 17 bilhões e os credores gritaram. E quando o credor grita numa empresa privada, acontece o que a gente está vendo: renegociação de dívida, demissões, corte de investimentos, fechamento de lojas, redução de estoques, venda de ativos. É um horror para quem perde o emprego, para quem forneceu e não recebeu, para quem investiu e perdeu dinheiro.

Isso acontece porque, na empresa privada, o dinheiro tem limite. E quando o limite chega, o banco não empresta, o fornecedor não entrega, o acionista não coloca mais dinheiro e o caixa acaba. Se as Casas Bahia fizerem tudo certo e os ventos soprarem a favor, elas sobrevivem. Do contrário, podem morrer.

Agora imagine se as Casas Bahia fossem uma estatal. E a gente não precisa ir longe porque está aí uma estatal agonizante: os Correios. Os Correios terminaram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Quando uma empresa tem mais passivos do que ativos, o pessoal da contabilidade diz que ela tem patrimônio líquido negativo. No caso dos Correios, passa de R$ 13 bilhões. O Tribunal de Contas da União fala em insolvência técnica. No mercado de encomendas internacionais, os Correios tinham 99% de participação no fim de 2023. Em junho do ano passado, 31%.

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E o que aconteceu quando o dinheiro ficou curto? Recuperação judicial? Não. A lei nem permite. O controlador tem quatro saídas: reestruturar, capitalizar, privatizar ou fechar. O governo anterior colocou os Correios no programa de privatização. O atual tirou e prometeu uma solução melhor.

Até agora, ela não apareceu. Fizeram PDV, anunciaram fechamento de agências, venda de imóveis e cortes de despesas. Até agora, não foi suficiente para reverter a crise. E precisaram de mais dinheiro. Os Correios contrataram R$ 12 bilhões em empréstimos com uma garantia que as Casas Bahia não têm à disposição: o aval da União. E conseguiram espaço para captar mais R$ 8 bilhões. O próprio TCU alerta para o risco de novos empréstimos e de aportes do Tesouro se o plano não funcionar. Quando as Casas Bahia devem e ninguém acredita que vão pagar, chega uma hora em que ninguém empresta.

Quando os Correios devem, o dinheiro ainda pode aparecer porque existe uma garantia soberana por trás. E esse é o conflito permanente do Estado empresário. Uma empresa privada precisa olhar para vendas, lucro, dívida, liquidez, produtividade e retorno porque disso depende sua sobrevivência. Numa estatal, resultados ruins não produzem necessariamente a mesma consequência imediata porque existe um controlador com recursos públicos atrás dela.

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Na empresa privada em crise, o credor grita para fechar a torneira. Na estatal, sindicatos, corporações, parlamentares e governo gritam para que a torneira continue aberta. E, quando conseguem, existe uma diferença fundamental: o dinheiro não pertence a eles. Eles gritam, e você paga a conta.

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