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Oinegue: Quando custa a recuperação judicisal das Casas Bahia

Triste do país que noticia mais RJ do que IPO. Mais recuperação judicial do que abertura de capital. No IPO, a empresa chega ao investidor e diz: tenho um proje

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19/08/2026 00:27 • Atualizado há 13 dias

Triste do país que noticia mais RJ do que IPO. Mais recuperação judicial do que abertura de capital. No IPO, a empresa chega ao investidor e diz: tenho um projeto promissor, quero dinheiro para crescer, investir e contratar. Na recuperação judicial, a conversa é outra: aquele projeto que um dia pareceu promissor agora não consegue pagar as dívidas e precisa de tempo para sobreviver. Percebe a mudança de personagens? No IPO aparecem investidores procurando oportunidades.

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Na recuperação aparecem credores tentando receber — e entram em cena os advogados. As duas coisas fazem parte do capitalismo. Recuperação judicial não é indicador de incompetência, assim como IPO não é certificado de competência. Tem empresa boa que entra em RJ e empresa ruim abrindo capital. Mas a relação entre uma coisa e outra diz muito sobre o ambiente de negócios de um país.

Em 2007, o Brasil fervilhava. Foram 64 IPOs para 269 pedidos de recuperação judicial: aproximadamente um para quatro. Sempre haverá muito mais recuperações porque o Brasil tem milhões de empresas e pouquíssimas chegam à Bolsa. O importante é observar a direção do movimento. Naquele Brasil, a economia crescia, o crédito avançava, os juros caíam e havia dinheiro procurando empresas para financiar. Tivemos outra janela extraordinária em 2020 e 2021, quando a Selic chegou a 2%. Depois o vento virou.

Os juros dispararam, o dinheiro ficou caro, a renda fixa passou a oferecer retornos tentadores e a porta dos IPOs bateu. Desde 2022, nenhuma empresa brasileira conseguiu estrear na Bolsa. Do outro lado, as recuperações judiciais bateram recordes, nas cidades e no campo. E com numeros e nomes que impressionam: Marabraz, Tok&Stok, Mobly e agora Casas Bahia, uma das empresas mais conhecidas da nossa história. Juro alto não explica tudo. Empresa entra em dificuldade por dívida excessiva, erro de gestão, concorrência, mudança tecnológica, margem ruim. As Casas Bahia cometeram erros.

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Mas o ambiente econômico determina quanto custa errar e e o tempo que você tem para para corrigir o erro. Taxas de juros menores compram tempo. Juros alto são impiedosos. Um país saudável precisa da recuperação judicial para tentar salvar negócios viáveis que se complicaram e do IPO para financiar empresas que querem crescer com apoio do mercado de capitais.

Mas, entre as duas, é evidente qual notícia gostaríamos de dar mais vezes: empresários investindo, investidores assumindo risco, empresas levantando dinheiro e financiando o futuro. O sinal de alerta aparece quando ouvimos muito mais o barulho das empresas renegociando o passado do que o sino das empresas chegando à Bolsa para financiar o futuro.

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