Medo no trânsito faz disparar busca por película antivandalismo
Interesse pelo acessório dobrou no Brasil em meio à explosão de furtos de celulares; entenda as regras do Contran para evitar multas

Basta parar o carro em um semáforo de uma grande metrópole para que o reflexo no vidro lateral traga mais do que a imagem da rua: traz o receio da "gangue da bike" ou de uma abordagem rápida. Esse sentimento coletivo de vulnerabilidade não é apenas uma percepção; ele está materializado nos dados de busca do Google Trends.
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O interesse por películas antivandalismo disparou e bateu recorde em 2025, com um aumento de 30% em relação ao ano anterior e um crescimento acumulado de 95% desde 2022.
O termômetro das pesquisas mostra que o brasileiro está tentando, por conta própria, erguer uma barreira física contra o crime. Mas por que esse acessório se tornou o novo item de desejo dos motoristas, especialmente em São Paulo?
São Paulo em alerta
O Sudeste concentra, de longe, o maior interesse por esse tipo de proteção, enquanto São Paulo puxa essa curva para cima: na comparação entre os estados da região, a liderança é folgada. Só a capital paulista registra um volume de buscas mais de seis vezes maior do que o do Rio de Janeiro.
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O motivo dessa corrida às lojas de acessórios automotivos aparece nos balanços de segurança pública. A cidade de São Paulo registrou um recorde histórico de 61.829 furtos apenas no primeiro trimestre de 2025. No centro desses crimes está o celular, que aparece como alvo único em 57,6% dos delitos de rua.
O método é brutalmente simples: o criminoso quebra o vidro lateral (muitas vezes com o carro em movimento ou parado no trânsito) e leva o aparelho em segundos. É aqui que a película entra em cena. Diferente do "insulfilm" comum, a película de segurança é composta por múltiplas camadas de poliéster que aumentam a rigidez do vidro e, crucialmente, retém os estilhaços caso o painel se rompa. Ela não torna o vidro inquebrável, mas retarda a ação do bandido, impedindo que ele acesse o interior do veículo rapidamente.
Blindagem de pobre? Entenda a diferença
Um erro comum nas buscas é confundir a película com a blindagem tradicional. Especialistas e fabricantes, como a 3M e a Allianz, reforçam: a película antivandalismo não é à prova de balas. Enquanto uma blindagem completa pode custar a partir de R$ 10 mil e alterar o desempenho do carro devido ao peso, a película é uma alternativa muito mais barata, custando entre R$ 600 e R$ 1.000 para os modelos intermediários.
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Existem diferentes níveis de resistência, identificados pela sigla PS:
- PS4 (0,10 mm): proteção básica contra impactos leves;
- PS8 a PS12 (0,20 a 0,27 mm): maior tempo de reação e resistência;
- PS14 (0,35 mm): a opção mais espessa e cara, podendo chegar a R$ 2.500, muitas vezes exigindo a remoção completa dos vidros para a instalação.
A lei: o que pode e o que dá multa
Não basta querer segurança, é preciso estar dentro das normas do Contran (Resolução 960/2022) para não transformar o investimento em prejuízo. A regra de ouro é a transmitância luminosa:
- Para-brisa e laterais dianteiros: o conjunto (vidro + película) deve permitir a passagem de, no mínimo, 70% da luz;
- Vidros traseiros: não há mais exigência mínima de transparência, desde que o carro tenha retrovisores em ambos os lados;
- Bolhas e espelhados: é terminantemente proibido o uso de películas refletivas (espelhadas) e a manutenção de películas com bolhas nas áreas de visão do motorista.
O descumprimento dessas regras é uma infração grave, com multa de R$ 195,23, 5 pontos na CNH e a retenção do veículo para regularização. Um detalhe importante para o motorista: o agente de trânsito só pode aplicar a multa por transparência se utilizar um medidor aprovado pelo Inmetro, o luxímetro.
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Ao instalar, verifique se o lojista aplicou a chancela (o carimbo oficial) que indica o índice de transparência, que deve estar legível pelo lado de fora. Se a loja oferecer apenas um adesivo por baixo da película, desconfie: isso pode ser considerado irregularidade.
A segurança no trânsito exige camadas. A película antivandalismo é uma delas, mas ferramentas como o Celular Seguro, do Ministério da Justiça, que já realizou quase 200 mil bloqueios, continuam sendo o plano B essencial para quem teve a barreira física vencida.
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