Brasil

Polícia Civil de SP investiga desvio do Wi-Fi Livre para filme de Bolsonaro

Operação apura se recursos de contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo foram desviados para financiar o longa "Dark Horse"

3 min

01/06/2026 10:37 • Atualizado há 91 dias

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (1º), a Operação Wi-Fi Livre para apurar fraudes contratuais e supostos desvios de recursos públicos na capital paulista. A ação mira o Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment, ambos geridos pela empresária Karina Ferreira da Gama.

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Investigadores suspeitam que parte de um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalação de internet gratuita em comunidades carentes tenha sido desviada para financiar a cinebiografia "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os agentes cumpriram mandados de busca na sede da produtora, em endereços da empresária e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da capital paulista.

O contrato de R$ 108 milhões previa a instalação e manutenção de 5 mil pontos de internet em periferias pelo programa Wi-Fi Livre SP. A polícia, porém, identificou indícios de superfaturamento no acordo. Enquanto a estatal Prodam, que atua desenvolvendo sistemas para gestão municipal, cobraria R$ 230 por instalação e R$ 306 mensais de manutenção por ponto, o contrato com o instituto estipulou pagamentos fixos de R$ 1.800 mensais por ponto instalado.

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Indícios de desvio e atrasos de obras

Segundo a investigação, embora o cronograma exigisse 5 mil pontos até junho de 2025, o instituto entregou apenas 3,2 mil. Para tentar ocultar o atraso, a prefeitura e a entidade assinaram três termos aditivos em intervalos curtos. Além disso, a administração municipal antecipou R$ 26 milhões em pagamentos sem a devida contraprestação dos serviços. No período de julho e agosto de 2024, mais de R$ 11 milhões foram repassados referentes a 3.200 pontos, embora apenas seis deles estivessem em pleno funcionamento.

Diante disso, a Polícia Civil aponta suspeitas de financiamento cruzado ilícito e confusão patrimonial. No mesmo período em que recebia repasses milionários da Prefeitura de São Paulo, a empresária Karina Ferreira da Gama, por meio da produtora dela, Go Up Entertainment, iniciou a produção do filme "Dark Horse". O longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro possui orçamento estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.

Investigações paralelas no STF e falta de contas

O caso também é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Flávio Dino. O STF investiga se R$ 2 milhões em emendas parlamentares federais destinadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, ao instituto de Karina teriam ajudado a custear o filme.

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A apuração federal começou após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Ela denunciou a existência de um suposto ecossistema de empresas interconectadas sob comando de Karina para ocultar a origem de verbas públicas.

Além disso, o Instituto Conhecer Brasil descumpriu o prazo de 11 de abril para prestar contas de outro convênio, o projeto Pirassununga, firmado com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O ministério informou que notificou a empresa para prestar esclarecimentos complementares. Como a apuração do Wi-Fi Livre SP envolve exclusivamente verbas municipais da Prefeitura de São Paulo, o caso foi encaminhado para a Polícia Civil e para o Ministério Público estadual, que seguem investigando o suposto esquema.

Polícia Civil de SP investiga desvio do Wi-Fi Livre para filme de Bolsonaro