Polícia investiga 'clube da luta' de adolescentes em bairro nobre do DF
Grupo organizava brigas clandestinas no Lago Sul com cobrança de ingressos e envio de currículos dos participantes; vídeos circulam em redes sociais
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a criação de um "clube da luta" ilegal promovido por um grupo de adolescentes em Brasília. Os eventos, que contavam com a participação de menores de idade, eram realizados em mansões do Lago Sul, bairro nobre da capital federal. De acordo com as investigações, os organizadores chegavam a cobrar ingressos e exigiam o envio de currículos dos interessados em participar dos confrontos.
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Imagens que circulam em redes sociais mostram duelos realizados em tatames improvisados nos quintais das residências. Em um dos vídeos, um adolescente desfere golpes violentos contra outro jovem sob os gritos de uma plateia. Os confrontos eram agendados por meio de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, e contavam com ampla divulgação em perfis públicos na internet.
Currículo para brigar e presença de adultos
Para ingressar no grupo, os adolescentes precisavam enviar informações detalhadas. O "currículo" exigido pelos organizadores incluía nome, peso, altura, idade e experiência prévia em artes marciais. Em casos mais graves, os jovens mencionavam até agressões cometidas contra pessoas em situação de rua como forma de demonstrar aptidão para as lutas clandestinas.
A polícia apura agora a extensão do envolvimento de adultos na promoção desses eventos. A investigação busca identificar quem são os responsáveis pela locação dos espaços e se houve fornecimento de bebidas alcoólicas para os menores. Pelo menos dois eventos de grande porte, organizados por jovens com idades entre 15 e 17 anos, já foram mapeados pelos investigadores.
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Riscos à integridade física e psíquica
A denúncia chegou às autoridades de forma anônima. Para Laércio Rossetto, delegado responsável pelo caso, a prática configura um incentivo direto ao crime e à violência gratuita. Segundo ele, os adolescentes envolvidos muitas vezes não possuem consciência dos riscos severos à integridade física e psíquica que estão correndo ao participar desses embates sem qualquer supervisão profissional ou equipamento de segurança.
"Eles estão incentivando crime, violência, luta, briga contra adolescentes que não têm a menor consciência, muitas vezes, dos riscos com relação à integridade física que estão correndo", afirma Rossetto.
O jornalismo da Band entrou em contato com a Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram e Facebook, sobre a permanência dos vídeos de violência no ar, uma vez que o conteúdo fere as diretrizes das comunidades digitais. Até o momento, a empresa não se manifestou. Um dos moradores da residência onde ocorreram as lutas negou envolvimento na organização. O caso segue sob investigação na Delegacia da Criança e do Adolescente.
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