Recuperação judicial das Casas Bahia ilustra tempestade perfeita no varejo
Com uma dívida bilionária, as Casas Bahia pediram recuperação judicial, demitiram 3 mil funcionários e fecharam quase 300 lojas. As ações despencaram na bolsa, como explica Juliana Rosa

As Casas Bahia foram criadas em 1952 pelo imigrante polonês Samuel Klein e cresceram oferecendo crédito a pessoas de baixa renda para a compra de móveis e eletrodomésticos.
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Nos anos 1990, viraram a maior varejista do setor no país, situação que começou a mudar em 2020, quando a pandemia provocou o fechamento de várias lojas. Com uma dívida total de mais de 17 bilhões de reais e dez bilhões de prejuízo no segundo trimestre, foi feito o pedido de recuperação judicial. As ações da companhia desabaram 33% na bolsa de valores.
O problema é que esse não é um caso isolado. Estamos vendo grandes empresas do varejo pedindo recuperação judicial: Casas Bahia, Lojas Marabraz, Tok&Stok.
O número de CNPJs negativados bateu recorde, segundo a Serasa. Em junho, foram mais de nove milhões de empresas inadimplentes, o pior resultado em 10 anos.
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O varejo vive uma tempestade perfeita: tem questões mais estruturais, como o aumento das vendas online, a concorrência com os sites chineses e as bets; e questões de momento, como juros altos por muito tempo e recorde de endividamento de pessoas e empresas — principalmente para as que já estavam mais endividadas e com problemas de gestão.
A economia cresce agora mais devagar, mesmo com muitos estímulos do governo, em boa parte turbinando o crescimento de forma artificial. As previsões de crescimento estão cada vez menores e cresce o risco de recessão.
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