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Símbolos do crime: Facções revistam celulares de moradores no RJ; entenda

Criminosos impõem vistorias em aparelhos telefônicos e utilizam figuras digitais para identificar territórios e negociar drogas

2 min

25/08/2026 19:56 • Atualizado há 6 dias

Criminosos do Rio de Janeiro estão parando moradores e pedestres em comunidades para vistoriar mensagens e aplicativos de celular, em busca de emojis que indiquem suposta ligação ou simpatia por facções rivais. A prática faz parte de um sistema de códigos digitais criado pelo crime organizado para controlar territórios e monitorar a população.

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A denúncia apresentada no Jornal da Band revela que a simples localização de determinados símbolos em conversas de aplicativos ou em redes sociais é suficiente para gerar suspeitas e colocar vidas em perigo.

Relatos de moradores apontam que homens armados realizam abordagens invasivas nas favelas cariocas. Em postagens públicas, vítimas relatam que bandidos verificam grupos de mensagens, fotos arquivadas e até o histórico de pesquisas musicais em plataformas de vídeo.

Cada grupo criminoso adotou ícones específicos na internet. O Terceiro Comando Puro (TCP) utiliza o emoji de jacaré em alusão ao traficante Wallace de Brito Trindade, conhecido pelo apelido de Lacoste, uma das principais lideranças da organização.

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O TCP também emprega a bandeira de Israel em publicações e muros para demarcar áreas sob a influência do bando. Já o Comando Vermelho (CV) é identificado pelo símbolo da bandeira vermelha ou pela figura de um urso. O animal faz referência direta a Edgar Alves de Andrade, apelidado de Doca ou Urso.

O Primeiro Comando da Capital (PCC), por sua vez, adotou nas redes sociais o símbolo chinês do yin-yang, que representa o equilíbrio. Além de marcar domínio territorial, os emojis são usados por traficantes como um código disfarçado para negociar entorpecentes e burlar a moderação de plataformas digitais.

A folha de bordo representa a maconha nas mensagens, enquanto o floco de neve é usado para fazer referência à cocaína. Até a fatia de pizza passou a ser adotada por criminosos como código para compartilhar conteúdos de pornografia infantil.

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A delegada Maria Luiza Machado explica que os emojis funcionam como uma ferramenta de triagem para os criminosos. Segundo ela, a compreensão imediata dos códigos indica aos bandidos que o interlocutor faz parte da rede criminosa e oferecerá apoio, além de servir para ludibriar os filtros de segurança das redes sociais.

O promotor de Justiça Fábio Corrêa ressalta que o uso das figuras isoladamente não constitui crime ou ato incriminatório contra o cidadão. No entanto, ele esclarece que as imagens funcionam como fortes indicativos de pertencimento e identificação com grupos armados e milícias. A polícia do Rio de Janeiro segue investigando os registros de abordagens ilegais e monitora a movimentação das quadrilhas nas redes.

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