Brasil

Transporte clandestino avança por aplicativos e eleva risco nas viagens

Serviços piratas cobram valores menores em relação às passagens regulares de ônibus, mas colocam a segurança dos passageiros em perigo nas rodovias

3 min

20/08/2026 06:00 • Atualizado há 12 dias

O transporte clandestino de passageiros ganha espaço nas estradas brasileiras por meio de aplicativos digitais que oferecem viagens a preços mais baixos. Atraídos por tarifas reduzidas em comparação com as passagens de ônibus regulares vendidas nos terminais rodoviários, usuários recorrem a veículos não autorizados, operados sem fiscalização prévia e sem as garantias de segurança exigidas pelas autoridades de trânsito.

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A prática atinge tanto automóveis de passeio caracterizados ilegalmente como táxis quanto ônibus e vans fretados de maneira irregular. Motoristas atuam nos arredores de terminais rodoviários e utilizam as mesmas plataformas digitais para ofertar trajetos interestaduais e intermunicipais, burlando as normas de regulamentação do setor.

Em rotas entre capitais e municípios do interior, a diferença de preços estimula a procura por viagens clandestinas. Em viagens partindo do Rio de Janeiro com destino a Barbacena, em Minas Gerais, os bilhetes convencionais chegam a custar entre R$ 160 e R$ 180 no guichê. Em contrapartida, trajetos operados por meio de aplicativos ilegais saem por R$ 70 em carros de passeio e R$ 92 em ônibus não credenciados.

A Rodoviária Novo Rio alerta que bilhetes vendidos com locais de embarque e desembarque no lado de fora dos terminais não são regulares. A administração orienta os passageiros a adquirir passagens emitidas exclusivamente para partidas de dentro das plataformas oficiais.

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As operações de fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) aplicaram cerca de 600 multas em carros de passeio que realizavam transporte irregular entre janeiro e agosto deste ano. No mesmo período, os agentes flagraram quase 680 ônibus e mais de 650 vans trafegando sem autorização pelas rodovias fluminenses.

O transporte pirata também representa um fator crítico para a segurança viária em rotas interestaduais. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fiscaliza ônibus contratados para viagens de fretamento. Recentemente, um veículo clandestino que fazia o trajeto entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro tombou na rodovia BR-040, no trecho de Petrópolis, na Região Serrana fluminense, deixando dez mortos.

Somente nas rodovias que ligam os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, a ANTT apreendeu 323 ônibus operando em situação irregular nos últimos 12 meses. Para confirmar se o veículo e a empresa prestadora do serviço de fretamento estão devidamente cadastrados, a ANTT disponibiliza atendimento gratuito pelo número 166. Por meio do canal, o passageiro informa a placa do carro ou o CNPJ da companhia antes de efetuar o embarque.

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No momento da viagem, o usuário também pode conferir presencialmente se o veículo possui o selo de identificação da ANTT afixado na lataria, verificar a correspondência da placa informada no bilhete e exigir a apresentação da licença de viagem emitida pelo órgão regulador.

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