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Vereadores são presos no Ceará em operação contra o crime organizado

Operação investiga cobrança de pedágio electoral e coação de eleitores por facção criminosa no município de Sobral

3 min

11/08/2026 19:35 • Atualizado há 20 dias

Uma operação de combate ao crime organizado resultou na prisão de três vereadores e outras quatro pessoas no município de Sobral, a 230 quilômetros de Fortaleza, no Ceará. A ação investiga a interferência direta de uma facção criminosa nas eleições locais, impondo restrições a campanhas políticas e coagindo eleitores em diversos bairros da cidade.

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Os parlamentares detidos foram Carlos do Calisto (PSB), Juninho do Povo (Podemos) e Mário Vítor (União Brasil). Por determinação judicial, os três vereadores foram afastados de seus cargos públicos pelo prazo inicial de 180 dias.

A investigação aponta que o Comando Vermelho, facção que controla territórios na região, passou a estipular quem poderia ou não realizar atos de campanha em determinadas comunidades. Para liberar o acesso aos bairros, o grupo criminoso cobrava uma espécie de "pedágio eleitoral", cujos valores variavam de R$ 30 mil para candidatos sem mandato a R$ 60 mil para políticos que já ocupavam cargos públicos.

Ameaças a eventos e coação de eleitores

De acordo com o promotor de Justiça Igor Pinheiro, a facção atuava diretamente para impedir reuniões e comícios políticos na cidade. O Ministério Público mapeou eventos programados para o pleito de 2026 que acabaram cancelados após ameaças explícitas a organizadores e proprietários dos locais escolhidos para os encontros.

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O promotor destacou que os integrantes da organização criminosa ameaçavam incendiar os espaços, disparar armas de fogo e matar participantes caso os eventos fossem mantidos sem o pagamento das taxas estipuladas.

Além da extorsão contra os candidatos, a apuração revelou esquemas de coação e intimidação voltados aos próprios eleitores. O grupo buscava direcionar a votação em certas comunidades sob ameaça de violência física, interferindo diretamente na livre escolha do voto.

As apurações sobre o esquema tiveram início a partir de irregularidades identificadas nas eleições municipais de 2024. No decorrer das diligências, uma policial militar também acabou afastada de suas funções operacionais por ser casada com um dos líderes da facção criminosa no Ceará, que atualmente se encontra preso no sistema penitenciário.

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Expansão do crime para o controle territorial e político

A atuação de facções no Ceará reflete uma mudança de comportamento do crime organizado, que expande suas atividades para além do tráfico de drogas e de roubos.Esse avanço sobre a política cearense já havia registrado desdobramentos em outros municípios do estado.

Na cidade de Santa Quitéria, o prefeito reeleito em 2024, conhecido como Braguinha, chegou a ser preso e teve o mandato cassado após investigações comprovarem repasses financeiros ao Comando Vermelho para garantir facilidades de campanha e a compra de votos na região. As investigações prosseguem para identificar outros possíveis integrantes do esquema e mapear a extensão das taxas cobradas pela facção criminosa em municípios vizinhos.

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