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O papel silencioso e vital das escola na prevensão dos casos de abuso

O abuso sexual contra uma menina de apenas seis anos foi descoberto após a realização de uma atividade pedagógica sobre a prevenção deste tipo de crime em uma

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01/09/2026 06:00 • Atualizado há 2 horas

O abuso sexual contra uma menina de apenas seis anos foi descoberto após a realização de uma atividade pedagógica sobre a prevenção deste tipo de crime em uma escola de São Paulo. O caso, que está sob investigação policial e tem como principal suspeito o marido da babá da criança, reforça o papel das instituições de ensino na instrumentalização de crianças e adolescentes na forma de reconhecerem sinais de perigo e a buscarem ajuda.

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A descoberta do crime ocorreu de forma indireta, por meio de uma dinâmica em sala de aula. Dayane Melo, mãe da vítima, relatou que a filha não havia contado sobre os abusos anteriormente por medo, após ter sido ameaçada pelo agressor para que mantivesse o caso em segredo.

A escola foi importante porque a minha própria filha relata que ela não falava para mim por medo, né? E porque foi ameaçada por ele, falando que não era para contar para ninguém. --mãe da criança

Histórias como essa evidenciam que a violência sexual infantojuvenil costuma iniciar-se com um processo silencioso de sedução, no qual a vítima, pela tenra idade, muitas vezes não compreende a gravidade ou a natureza do que está ocorrendo.

Para enfrentar essa realidade, escolas estaduais em São Paulo têm promovido rodas de conversa descontraídas que reúnem estudantes desde o 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. Conduzidos por psicólogos e com o apoio de professores, esses encontros abordam temas complexos como o abuso e a violência sexual, oferecendo aos alunos um espaço seguro para reflexão e denúncia.

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É muito legal ter essa conversa porque a gente consegue se abrir mais. Tem esse momento também de ajuda, onde a gente pode pedir ajuda. --afirma um dos estudantes

Segundo profissionais da área, a linguagem e a abordagem metodológica devem ser rigorosamente adaptadas a cada fase de desenvolvimento. Enquanto os adolescentes conseguem debater os limites do próprio corpo e as nuances das relações sociais de forma direta, o trabalho com crianças menores exige estratégias diferenciadas.

Estatísticas e o alerta dentro de casa

A necessidade de a escola atuar como uma rede de proteção torna-se ainda mais urgente diante das estatísticas de violência infantojuvenil. Dados apontam que:

  • Mais de 90% dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes são cometidos por pessoas conhecidas das vítimas;
  • Desse total, mais de 60% dos agressores são parentes das próprias crianças.

Como a esmagadora maioria dos casos ocorre no próprio ambiente familiar ou comunitário próximo, a sala de aula passa a ser, frequentemente, o único local onde a criança encontra a segurança necessária para romper o silêncio.

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Especialistas defendem que falar sobre educação sexual desde a infância não se trata de expor conteúdos inadequados, mas, sim, de ensinar a autoproteção de maneira lúdica e acessível. O uso de músicas, brincadeiras e dinâmicas interativas ajuda as crianças pequenas a compreenderem quais partes do corpo não podem ser tocadas por terceiros.

A regra de ouro ensinada nas escolas é simples, mas vital para desfazer a manipulação psicológica dos agressores: "Segredo ou carinho não pode te dar medo". Ao aprenderem a distinguir o afeto saudável do abuso e a identificar as "suas partes" que pertencem estritamente a si mesmas, as crianças ganham voz e ferramentas para se protegerem.

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