Economista analisa legado do confisco da poupança de 1990
Marcos Wagner da Fonseca fala sobre confiança, dívida pública e os efeitos do Plano Collor
O confisco da poupança durante o governo de Fernando Collor, em 1990, deixou marcas na economia brasileira e ainda é lembrado quando o assunto é segurança dos investimentos e confiança na política econômica.
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O tema é analisado pelo economista Marcos Wagner da Fonseca, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no programa Band Entrevista. O programa vai ao ar aos sábados, às 18h50, e também aos domingos, na programação da Band Paraná.
Confisco reduziu dívida e ativos, explica economista
Segundo Marcos Wagner da Fonseca, o episódio de 1990 foi um momento singular da história econômica brasileira. Na avaliação apresentada pelo professor, uma das consequências do confisco foi a redução expressiva da dívida e dos ativos naquele período.
O economista destaca que a medida também atingiu o valor de bens e investimentos, provocando uma forte mudança na percepção econômica da população.
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"Quando ele fez o confisco da dívida, ele diminuiu a dívida em uma paulada em 50%."
Para o professor, o impacto ultrapassou os efeitos imediatos sobre o dinheiro que havia sido bloqueado.
Confiança na dívida pública
Marcos Wagner explica que o funcionamento da dívida pública depende também da confiança dos investidores de que o governo irá honrar os compromissos assumidos.
Na entrevista, ele compara o confisco a um default, termo utilizado no mercado financeiro para situações em que uma dívida não é honrada conforme as condições estabelecidas.
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"O governo empresta dinheiro, através da emissão de títulos públicos, e ele honra isso, e os juros que as pessoas que emprestam cobram dependem dessa confiança."
Segundo o professor, a quebra dessa confiança pode produzir efeitos que permanecem por muitos anos sobre o custo de financiamento do governo.
Efeitos ainda lembrados no mercado
Ao analisar o período, o economista afirma que o episódio do governo Collor deixou um trauma entre os brasileiros e também teve consequências sobre a percepção de risco da dívida pública.
Para Marcos Wagner, mesmo décadas depois, o episódio ainda ajuda a explicar parte do prêmio pago nas taxas de juros brasileiras.
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"Nós, muitos e muitos anos depois, 36 anos depois, nós ainda pagamos prêmio de taxa de juros por conta desse confisco do Collor lá de 1990."
Quem é Marcos Wagner da Fonseca
Marcos Wagner da Fonseca ingressou na UFPR em 2010. É doutor em Desenvolvimento Econômico pela própria universidade, mestre em Economia pela Universidade Estadual de Maringá e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo.
Na UFPR, atua como professor e pesquisador nas áreas de Economia, Finanças e Administração Pública. Também é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Contabilidade da universidade.
A entrevista completa com Marcos Wagner da Fonseca está no Band Entrevista, programa da Band Paraná que vai ao ar aos sábados, às 18h50, e também aos domingos.
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