Paraná registra quase 700 mil casos de violência contra a mulher
Levantamento do TCE-PR mostra litoral como área mais crítica e revela fragilidades na rede de atendimento às vítimas
O Paraná registrou quase 700 mil casos de violência contra a mulher entre 2019 e 2025, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) com base em dados da Secretaria da Segurança Pública, que aponta concentração de ocorrências, especialmente, em municípios do litoral.
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Quase sete em cada dez cidades com morte violenta
De acordo com o estudo, quase sete em cada dez municípios paranaenses registraram ao menos uma morte violenta de mulher no período analisado. O levantamento reúne ocorrências comunicadas à Secretaria da Segurança Pública e abrange diferentes tipos de violência de gênero.
Na avaliação da gerente de Auditoria do TCE-PR, Camila Félix, o volume de registros coloca o estado em posição de alerta. Ela destaca que os números evidenciam a amplitude do problema.
"Os dados mostram que a violência contra a mulher está espalhada por todo o estado, não restrita a determinadas regiões ou apenas aos grandes centros urbanos", afirmou Camila Félix.
Litoral concentra violência letal e estupros
O levantamento indica que a maior concentração de violência letal contra mulheres se dá nos municípios do litoral. Já a região Centro-Sul do Paraná apresenta a maior incidência de notificações de estupro.
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No recorte por cidades, Paranaguá aparece simultaneamente nas concentrações territoriais de violência doméstica, estupro e homicídio contra mulheres. No ranking geral, que considera a taxa de casos por 100 mil habitantes, Matinhos lidera os índices de violência, seguido por Pontal do Paraná, também no litoral, e por Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
Rede de atendimento é considerada insuficiente
A análise dos dados levou o TCE-PR a examinar a estrutura de cada município para atender mulheres vítimas de violência. Segundo o tribunal, a maioria das cidades ainda apresenta deficiências na rede de proteção e se encontra em fase inicial de implementação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do problema.
"Essa estrutura ainda é muito incipiente em boa parte dos municípios, e isso se reflete lá na ponta, no atendimento às mulheres que buscam ajuda e proteção", avaliou Camila Félix.
TCE realiza auditorias presenciais em municípios
Com base nessas constatações, o Tribunal de Contas passou a realizar, desde o ano passado, auditorias operacionais presenciais em cidades paranaenses para avaliar o atendimento às vítimas. Já foram visitados 12 municípios, seis deles neste ano.
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Segundo o TCE-PR, o objetivo das auditorias é promover políticas públicas voltadas às mulheres, identificando falhas na rede de proteção e apontando melhorias para o poder público municipal.
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