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Guilherme Coaracy orienta: fimose, hipospádia e criptorquidia na infância

Urologista pediátrico orienta sobre sinais que merecem atenção e mostra por que o tempo pode influenciar algumas decisões médicas.

7 min

25/08/2026 18:42 • Atualizado há 6 dias

Guilherme Coaracy orienta: fimose, hipospádia e criptorquidia na infância

A saúde urológica também começa na infância. Alterações no desenvolvimento genital, dificuldades urinárias e determinadas condições identificadas logo após o nascimento podem exigir acompanhamento especializado, ainda que muitas vezes não provoquem dor ou outros sintomas evidentes.

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Segundo o urologista Guilherme Coaracy, com cerca de 20 anos de atuação na Urologia Pediátrica, parte importante do atendimento está justamente em diferenciar situações próprias do desenvolvimento infantil daquelas que precisam de investigação ou tratamento.

Nem toda alteração, portanto, representa uma doença. O cuidado está em reconhecer quando observar é suficiente e quando o tempo pode interferir no resultado futuro.

“Na urologia pediátrica, existem condições que podem ser apenas acompanhadas e outras em que o momento da intervenção faz diferença. Por isso, a avaliação precisa considerar a idade da criança, a anatomia e a forma como aquele desenvolvimento está acontecendo.”

Fimose na infância nem sempre significa necessidade de cirurgia

A fimose é uma das principais razões pelas quais pais procuram o urologista pediátrico. Nos primeiros anos de vida, porém, a dificuldade para expor completamente a glande pode fazer parte do desenvolvimento normal.

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Coaracy explica que muitos meninos nascem com algum grau de fimose e que, ao longo do crescimento, essa condição pode se resolver espontaneamente.

O cuidado em casa também merece atenção. Uma prática ainda presente em algumas famílias é tentar puxar a pele do pênis de maneira forçada, na tentativa de facilitar a abertura.

Para o urologista, essa conduta pode ter o efeito contrário.

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“A orientação é não forçar. A higiene deve ser feita puxando a pele apenas até onde ela vai naturalmente. Quando há tração excessiva, podem ocorrer pequenos machucados e cicatrizes, e essa cicatrização pode tornar a região ainda mais estreita.”

Quando a fimose persiste, a indicação de tratamento depende da avaliação individual. Em determinados casos, podem ser adotadas medidas conservadoras; em outros, a cirurgia pode ser considerada.

A decisão não deve se basear apenas na aparência, mas também em aspectos como higiene, episódios de inflamação, anatomia e idade da criança.

Testículo fora da bolsa exige atenção ao tempo

Outra condição importante na infância é a criptorquidia, nome dado à situação em que um ou ambos os testículos não estão posicionados adequadamente na bolsa escrotal.

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Ao nascer, espera-se que os dois testículos estejam na bolsa. Em alguns bebês, o testículo pode descer espontaneamente nos primeiros meses, mas a persistência da alteração exige avaliação especializada.

O motivo é que o posicionamento inadequado pode ter repercussões futuras.

“Quando o testículo não está na bolsa, não é apenas uma questão anatômica. Existe uma preocupação com fertilidade e também com o risco de problemas futuros, como o câncer de testículo. Por isso, é uma condição em que não devemos simplesmente esperar indefinidamente para ver o que acontece.”

Coaracy ressalta ainda que existe diferença entre um testículo que realmente permanece fora da bolsa e o chamado testículo retrátil, que pode mudar de posição. Essa distinção nem sempre é simples para os pais e deve ser feita durante o exame médico clínico de um Urologista Pediátrico experiente.

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Em alguns casos, a criptorquidia também pode estar associada à hérnia inguinal, o que reforça a importância de uma avaliação completa.

Hipospádia pode ser identificada logo após o nascimento

A avaliação do recém-nascido também permite reconhecer alterações como a hipospádia.

Nessa condição, a abertura por onde sai a urina não está localizada exatamente na ponta do pênis, podendo aparecer em diferentes posições ao longo da região genital.

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Diferentemente de algumas alterações do trato urinário que podem aparecer em ultrassonografias realizadas durante a gestação, a hipospádia costuma ser identificada no exame físico do bebê após o nascimento.

“É uma condição que pode ser percebida já na maternidade. A partir daí, a criança deve ser acompanhada por um urologista pediátrico para avaliar a anatomia e definir com a família qual é o melhor momento para a correção, quando ela for necessária.”

O tratamento não segue uma única fórmula. A localização da abertura urinária, a anatomia e outros aspectos do desenvolvimento ajudam a definir a conduta.

Desfralde também oferece pistas sobre a saúde urinária

O acompanhamento urológico infantil não se restringe às alterações genitais.

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A forma como a criança desenvolve o controle da urina também pode fornecer informações importantes sobre o funcionamento do trato urinário.

Coaracy chama atenção para um ponto comum na rotina familiar: a tentativa de acelerar o desfralde por pressão da escola, dos adultos ou pela comparação com outras crianças.

Segundo ele, o processo deve respeitar sinais de maturidade.

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“A criança vai mostrando quando está preparada. Primeiro, ela percebe que fez xixi; depois, começa a avisar que vai fazer. Quando passa a reconhecer essa vontade, já existe um nível de consciência corporal que ajuda no processo do desfralde.”

Forçar essa etapa pode gerar ansiedade e hábitos inadequados. Medo do banheiro, vaso muito alto, pés sem apoio e dificuldade de acesso ao ambiente são fatores simples, mas que podem interferir na relação da criança com a micção.

Infecções urinárias recorrentes também merecem investigação, especialmente quando vêm acompanhadas de outras alterações.

Em algumas crianças, episódios de infecção podem estar relacionados a refluxo de urina, dilatações do trato urinário ou outras condições que precisam de acompanhamento especializado.

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Nem toda alteração encontrada em exame precisa de cirurgia

O avanço do acompanhamento pré-natal fez com que algumas alterações do sistema urinário fossem identificadas ainda durante a gestação.

Dilatações dos rins ou dos ureteres, por exemplo, podem aparecer em exames de imagem antes mesmo do nascimento.

Isso não significa, entretanto, que toda criança com uma alteração desse tipo precisará de cirurgia.

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“Há crianças que precisam apenas ser acompanhadas. Em outras, pode ser necessário algum tratamento. A parte mais importante é entender que a indicação deve ser individualizada. Nem uma imagem alterada significa automaticamente cirurgia, nem a ausência de sintomas significa que não precisa acompanhar.”

Quando a intervenção cirúrgica é necessária em determinadas malformações urinárias, técnicas minimamente invasivas, inclusive a cirurgia robótica, podem ser consideradas conforme o caso.

Coaracy reforça que a tecnologia não substitui a indicação médica.

“Mais difícil do que realizar uma cirurgia é saber quando ela realmente deve ser feita. A tecnologia é uma ferramenta. A decisão precisa partir do que aquela criança necessita, e não do fato de existir uma técnica mais moderna disponível.”

Informação reduz ansiedade dos pais e ajuda a criança

Na urologia pediátrica, o atendimento também envolve uma particularidade: o paciente é a criança, mas a preocupação costuma atingir toda a família.

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Para Coaracy, explicar o que está acontecendo faz parte do próprio cuidado.

Crianças maiores podem participar da conversa, compreender etapas do tratamento e expressar medos e dúvidas. A transparência, segundo o urologista, pode tornar a experiência menos ameaçadora.

“Quando a criança já consegue compreender, eu gosto de explicar o que vai acontecer e colocá-la como participante daquele processo. Esconder nem sempre protege. Falar de maneira adequada para a idade pode trazer mais segurança para ela e também para os pais.”

Essa abordagem inclui reconhecer que procedimentos médicos podem causar ansiedade mesmo quando fazem parte da rotina profissional.

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O objetivo, segundo ele, é transformar a consulta em um espaço de orientação, sem criar medo desnecessário e sem minimizar a preocupação da família.

Quem é Guilherme Coaracy

Guilherme Antônio Veloso Coaracy é médico formado pela Universidade Federal do Maranhão. O interesse pela urologia surgiu ainda durante a graduação, a partir do contato com um professor da especialidade, experiência que definiu os rumos de sua formação.

Posteriormente, realizou residência médica em Cirurgia Geral e Urologia no Hospital de Base do Distrito Federal. O ensino permaneceu presente em sua trajetória profissional: atua na formação de residentes e integra comissão da Sociedade Brasileira de Urologia relacionada à avaliação para obtenção do título de especialista.

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Sua prática atual concentra-se principalmente em urologia pediátrica e doenças da próstata. No atendimento de crianças, procura adaptar a comunicação à idade do paciente e incluir os pais no processo de decisão.

Para Coaracy, essa relação passa também pela educação em saúde.

“Eu explico muito nas consultas porque acredito que a família precisa compreender o que está acontecendo. Na criança, isso ganha uma importância ainda maior: os pais precisam se sentir seguros, mas, sempre que ela já tem idade para entender, também deve participar da conversa sobre o próprio cuidado.”

CRM: 12124/DF | RQE Nº: 7657

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Site:https://drguilhermecoaracy.com.brInstagram: @dr.guilhermecoaracy

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