Inundação no Anhangabaú gera críticas e obriga Nunes a admitir falha
Inundação arrastou carros e deixou dezenas de ilhados no centro de São Paulo

As fortes chuvas que atingiram a capital paulista voltaram a transformar o Túnel do Vale do Anhangabaú em um cenário de pesadelo para motoristas e passageiros. A enxurrada tomou o túnel e arrastou veículos, que acabaram empilhados com a força da água. Dezenas de pessoas ficaram ilhadas, e o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para resgatar motoristas e passageiros que estavam presos inclusive no interior de um ônibus.
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Mesmo com alertas severos emitidos pela Defesa Civil e com a cidade em estado de atenção, o trânsito no túnel não foi interrompido a tempo. O volume de água registrado foi de 42 milímetros — quantidade esperada para cerca de 11 dias. Segundo a Prefeitura de São Paulo, as seis bombas de escoamento localizadas dentro da estrutura funcionaram, mas não foram suficientes para dar conta do volume expressivo de água.
O entregador de aplicativo Guilherme Silva Martins esteve no local durante o temporal e levou o automóvel para a oficina para calcular os prejuízos. Ele relatou o desespero vivido dentro do túnel ao notar o afunilamento do tráfego momentos antes da inundação.
Quando a gente foi entrar no túnel, a CET tinha fechado quatro faixas e deixou uma faixa só passando carro e ônibus. Quando a gente parou dentro do túnel, automaticamente o pessoal começou a buzinar, quando foi ver, a água estava 'vindo a milhão' e nós ficamos desesperados. Nem deu tempo de salvar o carro.
Prefeitura de São Paulo admite falha na interdição do Túnel
A interdição da via em temporais é uma medida prevista no Plano de Prevenção de Chuvas assinado pelo prefeito Ricardo Nunes no ano passado. No entanto, a interrupção do tráfego não foi realizada antes que a água cobrisse a pista.
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A Gestão Municipal admitiu a falha em não ter antecipado o bloqueio do Túnel do Anhangabaú. Em declaração, o prefeito Ricardo Nunes justificou a rapidez do alagamento.
Para você ter ideia, o túnel encheu em três minutos num volume de água ao mesmo tempo que, infelizmente, a gente não conseguiu se antecipar e fazer o bloqueio dos veículos."
Histórico de episódios graves no local motivou protocolo de emergência
A repetição de inundações na via é um problema antigo na capital. Em 1999, a água subiu 5 metros e quase atingiu o teto do túnel, deixando cerca de 160 veículos submersos — entre carros e ônibus — e exigindo o resgate de dezenas de pessoas pelos bombeiros.
O problema voltou a ocorrer em 2002 durante fortes temporais, gerando novos prejuízos aos motoristas. Em 2006, o cenário se repetiu mais uma vez, o que levou a administração municipal a criar um protocolo de emergência prevendo a interdição da via em caso de tempestade. Já no ano de 2024, um novo episódio de inundação foi registrado, mas, na ocasião, o túnel foi bloqueado a tempo.
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Deslizamento com morte e alagamentos em importantes avenidas
Além dos transtornos no centro da cidade, o temporal deixou rastro de destruição em outras regiões da capital paulista. Uma mulher de 47 anos morreu após um deslizamento de terra registrado na Zona Norte de São Paulo. No mesmo bairro, uma mulher que estava sendo levada pela força da enxurrada acabou salva pela ação de duas pessoas.
A chuva provocou alagamentos em vias expressas e importantes corredores de trânsito, como a Avenida 9 de Julho e a Avenida 23 de Maio, onde condutores também ficaram ilhados. No transporte público, o acúmulo de água causou transtornos e uma cascata de água se formou no interior de uma estação de metrô.
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