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Mulher e motorista falam sobre tentativa de feminicídio por atropelamento

O caso ocorreu no Parque Floresta, em Campinas (SP)

4 min

26/08/2026 18:34 • Atualizado há 5 dias

A mulher, de 39 anos, que foi vítima de tentativa de feminicídio e o motorista de ônibus, que ajudou ela a se salvar, conversaram com a Band sobre o ocorrido. O caso ocorreu na manhã desta terça-feira (25), no Parque Floresta, em Campinas (SP), quando o ex-companheiro da vítima usou um carro para atropelar ela. Ele foi preso em flagrante.

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A vítima relatou que estava saindo para trabalhar, por volta das 6h da manhã, quando percebeu a aproximação do ex-companheiro, identificado como Romario Souza Rocha, de 34 anos, em um veículo branco. Segundo a mulher, ele emparelhou o carro e a ameaçou: "se você correr vai ser pior".

Romario chegou a registrar boletim de ocorrência contra a vítima por falsa acusação

Romario chegou a registrar boletim de ocorrência contra a vítima por falsa acusação

Crédito: Redes Sociais

Ao avistar o ônibus, o instinto da mulher foi correr em direção ao veículo, fazendo um trajeto em zigue-zague para impedir que o homem descesse do carro para pegá-la. Na calçada, o agressor jogou o automóvel contra ela.

"Quando eu cheguei na calçada, eu só vi que o carro subiu na calçada, não sei se bateu em mim ou não, mas falaram que bateu o carro em mim, machuquei o braço esquerdo e a perna esquerda", contou a vítima.

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As imagens que registraram o momento do ataque mostram o que acabou escapando da memória da vítima no período de pânico: o carro avança sobre a calçada e bate na mulher, que cai no chão, se levante e continua correndo. Assista ao momento:

O motorista do coletivo, percebendo o perigo, abriu as portas para acolhê-la. "Aí ela veio correndo em direção ao ônibus, eu deixei que ela subisse, aí eu peguei, coloquei ela no banco da frente e levei até o terminal", detalhou o condutor, que preferiu não se identificar. A mulher foi transportada em segurança até o Terminal Campo Grande, local onde a polícia foi acionada.

Por outro lado, a Polícia Civil informou à Band que Romario Souza Rocha nega ter cometido o crime. Ele disse que não estava dirigindo o veículo e registrou um boletim de ocorrência por falsa acusação de crime. No entanto, a alegação não foi suficiente para soltá-lo. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva pela autoridade policial.

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Histórico de ameaças e o papel da medida protetiva

O relacionamento do casal havia começado em maio de 2025. No dia 17 de agosto, após a vítima trocar os cadeados de casa, o agressor tentou invadir a residência e enviou mensagens de áudio com graves ameaças: "vou levar um galão cheio de combustível e vou tacar fogo nessa casa aí". Ele também ameaçou levar o gato de estimação dela, que havia sido presente dele. De acordo com a vítima, "ele queria pegar o gato para tentar me afetar psicologicamente".

Após registrar o caso na delegacia, a mulher conseguiu uma medida protetiva de urgência emitida no dia 24. O ataque ocorreu logo no dia seguinte, evidenciando o descumprimento da ordem judicial.

Abalada, ela desabafou sobre a fragilidade da proteção legal no país: "A gente pensa, será que a gente fazendo a medida protetiva a gente vai estar protegida? Então assim, eu acho que as leis no Brasil deveriam mudar".

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Ameaças antes do ataque

A equipe da Band Campinas teve acesso a um adio que o agressor teria enviado à vítima. Na gravação, ele fala o seguinte:

"Cara doidão, faz. Você nunca viu o doidão, né? Vocês vão ver agora, se vocês querem entrar no meio e tentar impedir. Porque a meia hora eu vou aí, e se vocês começarem com graça, eu vou levar um galão cheio de combustível e vou tacar fogo nessa casa aí.

Vai com graça para você ver. Vou arrebentar o cadeado e ainda vou pegar o gato, e ainda vou tacar combustível aí nessa casa e meter fogo. Você bota fé? Você já viu um cara doidão? Só por causa da atiração.

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Trocou o cadeado com medo de quê? Desconfiança de mim? Vocês não podiam ficar com desconfiança de mim? Logo de mim? Agora vocês arrumaram um problemão agora. E não adianta ninguém achar ruim, não. Eu ia chamar a polícia, se quiser chamar o..."

Prisão e repercussão

O agressor foi preso inicialmente por violência doméstica, mas foi atualizado para tentativa de feminicídio. O caso foi registrado na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas, permanecendo à disposição da Justiça.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp) emitiu uma nota parabenizando formalmente o motorista pela atitude heroica.

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Ainda muito afetado pelo ocorrido, o condutor desabafou: "Tô em choque até hoje, até hoje eu tô em choque. Não recuperei ainda". Sobre o comportamento do agressor, ele concluiu: "O cara acha que é dono da outra pessoa e ele determina se ela deve viver ou não".

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