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Rafael Almeida explica por que pressão alta pode passar despercebida

Cardiologista esclarece por que valores isolados podem enganar e como histórico familiar, hábitos e acompanhamento ajudam a avaliar o risco.

6 min

25/08/2026 14:32 • Atualizado há 6 dias

Rafael Almeida explica por que pressão alta pode passar despercebida

A hipertensão arterial pode evoluir durante anos sem provocar sintomas perceptíveis. Essa característica faz com que muitas pessoas adiem avaliações médicas por acreditarem que a ausência de dor de cabeça, mal-estar ou outros sinais representa, por si só, uma condição de saúde satisfatória.

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Na prevenção cardiovascular, porém, sentir-se bem não é suficiente para afastar alterações da pressão, do colesterol ou da glicemia. O acompanhamento permite reunir informações que vão além de um número registrado em determinado momento e considerar histórico familiar, hábitos, doenças associadas e comportamento da pressão ao longo do tempo.

Segundo o cardiologista Rafael Almeida de Faria, essa característica silenciosa é uma das dificuldades enfrentadas no cuidado de doenças crônicas.

“Um dos grandes desafios é justamente o paciente não sentir nada e, por isso, entender que não precisa se cuidar. Hipertensão, diabetes e alterações do colesterol podem permanecer silenciosas. Quando conseguimos identificá-las precocemente, existe a possibilidade de acompanhar e interferir na evolução desses fatores de risco antes de uma complicação maior.”

Pressão alta isolada não significa, necessariamente, hipertensão

Um valor elevado em uma única medição não é suficiente para estabelecer o diagnóstico de hipertensão. A pressão arterial varia ao longo do dia e pode aumentar diante de dor, estresse, esforço físico ou tensão emocional.

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Por isso, o resultado precisa ser analisado dentro de um contexto clínico. Além da medida feita no consultório, o médico pode considerar registros obtidos em outros momentos e, quando houver indicação, utilizar métodos complementares.

Entre eles está a MAPA, monitorização ambulatorial da pressão arterial, recurso que permite observar o comportamento da pressão fora do ambiente do consultório.

“Existe uma forma técnica de investigar a hipertensão. Uma medida isolada, principalmente em uma situação de estresse ou dor, não permite concluir sozinha que aquele paciente é hipertenso. Em determinados casos, precisamos observar como essa pressão se comporta fora do consultório antes de definir uma conduta.”

O cuidado precisa existir nos dois sentidos: evitar que uma elevação ocasional seja interpretada como diagnóstico definitivo e, ao mesmo tempo, não minimizar alterações persistentes apenas porque o paciente não apresenta sintomas.

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Essa diferença ajuda a explicar por que a automedição pode ser útil como fonte de informação, mas não deve substituir a avaliação clínica.

Histórico familiar e estilo de vida também pesam no risco cardiovascular

A prevenção da hipertensão não se limita aos valores registrados no aparelho. O risco cardiovascular é construído por diferentes fatores, entre eles idade, histórico familiar, presença de diabetes, alterações do colesterol, peso, sedentarismo, alimentação, sono e aspectos emocionais.

Casos de infarto precoce em familiares próximos, por exemplo, merecem atenção porque podem sinalizar uma predisposição que precisa ser analisada em conjunto com outros elementos do quadro clínico.

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Rafael destaca que essa herança, porém, não deve ser encarada como destino inevitável.

“Quando existe uma história familiar importante, ela funciona como um sinal de alerta. A genética tem peso, mas o comportamento ao longo da vida também interfere na trajetória do paciente. Atividade física, alimentação, qualidade do sono e controle adequado dos fatores de risco podem modificar esse caminho.”

A aparência física também não é suficiente para definir quem está ou não protegido. Pessoas jovens, magras e fisicamente ativas podem apresentar hipertensão ou alterações importantes do colesterol sem perceber.

Esse é um dos motivos pelos quais o cardiologista defende que a prevenção seja individualizada, e não baseada apenas em idade, sintomas ou aparência.

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O desafio não é apenas diagnosticar, mas transformar cuidado em rotina

Para Rafael Almeida, uma das questões mais complexas da prevenção cardiovascular aparece depois que o paciente compreende o diagnóstico. Saber que atividade física, alimentação adequada, sono e acompanhamento são importantes nem sempre significa conseguir incorporá-los à vida cotidiana.

É nesse ponto que o vínculo entre médico e paciente ganha relevância.

“Uma coisa é conhecer a doença; outra é conseguir levar a pessoa a refletir sobre a própria saúde. Muitas vezes, ela já sabe que precisa se exercitar, alimentar-se melhor ou dormir adequadamente. O desafio é transformar essa informação em uma decisão que faça sentido para a vida dela. Isso pode acontecer aos poucos, conforme existe vínculo e acompanhamento.”

Essa relação também pode ajudar a reduzir outro comportamento comum: o receio de procurar atendimento e “descobrir um problema”. Na visão do cardiologista, a prevenção parte justamente da lógica oposta, ao tentar identificar riscos antes que eles se manifestem de forma mais grave.

A atividade física é um exemplo. Rafael defende que o exercício seja estimulado como parte do cuidado, mas ressalta que pessoas com fatores de risco ou que pretendem iniciar práticas de maior intensidade podem precisar de avaliação prévia.

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“Atividade física faz parte da saúde e não deve ser cercada de barreiras desnecessárias. Ao mesmo tempo, existem situações em que uma avaliação clínica pode ser importante. O objetivo não é afastar o paciente do exercício, mas entender se há alguma condição que exija um cuidado específico.”

Tecnologia amplia informações, mas não substitui interpretação médica

Relógios inteligentes, aplicativos e dispositivos de uso doméstico aumentaram o acesso a informações sobre frequência cardíaca, ritmo do coração e outros parâmetros.

Na cardiologia, esses recursos podem contribuir em situações específicas. Rafael cita como exemplo dispositivos capazes de registrar alterações que podem levantar suspeita de determinadas arritmias, entre elas a fibrilação atrial.

Esses registros, entretanto, precisam ser interpretados dentro de um quadro clínico. O dado produzido por um dispositivo pode funcionar como sinal para investigação, mas não equivale, isoladamente, a diagnóstico.

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“A tecnologia pode ser uma excelente ferramenta quando a informação ajuda na tomada de decisão. O problema começa quando o paciente passa a interpretar o dado sem contexto ou quando aquilo gera ansiedade. A informação precisa ser transformada em conhecimento clínico, e isso exige avaliação.”

O mesmo princípio vale para a pressão arterial: quanto mais informações o paciente reúne, maior pode ser a contribuição para o acompanhamento, desde que esses registros não sejam analisados de forma isolada.

Ao falar sobre prevenção, Rafael defende uma mudança na relação com o acompanhamento médico. Em vez de procurar ajuda apenas quando surge um sintoma, ele considera importante construir uma rotina de cuidado capaz de reconhecer alterações que ainda não produziram manifestações perceptíveis.

“Ter um médico de confiança acompanhando a saúde ao longo da vida também é uma forma de prevenção. Existem doenças que não dão sinais no início, mas que podem ser identificadas e acompanhadas com mudanças de estilo de vida e, quando houver indicação, tratamento adequado.”

Quem é Rafael Almeida de Faria

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Natural do Rio de Janeiro, Rafael Almeida de Faria construiu sua formação médica em instituições públicas e tradicionais da cidade. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal Fluminense e seguiu a formação clínica na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, antes de realizar a residência em Cardiologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ao longo da carreira, reuniu experiência em contextos hospitalares e no cuidado de pacientes de maior complexidade, trajetória que atualmente se concentra na cardiologia clínica, no acompanhamento de pacientes internados e no atendimento em consultório. Também atua no Instituto Nacional de Cardiologia e integra o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro como médico.

Na prática clínica, Rafael afirma buscar uma medicina baseada em ciência, mas também sustentada por escuta, tempo e vínculo. Para ele, compreender hábitos, rotina, contexto familiar e inseguranças do paciente faz parte do cuidado e pode influenciar tanto a adesão ao tratamento quanto a construção de estratégias preventivas ao longo do tempo.

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CRM 822833 | RQE 27136

Site: https://rafaelalmeidacardio.comInstagram: @rafaelalmeida.cardio

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