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Gatinhos começam inverter lógica econômica do setor pet no Brasil

Varejo alimentar focado em felinos cresce no país desde a pandemia, mas cães ainda dominam o setor

3 min

13/10/2026 12:45 • Atualizado há 4 dias

Gatinhos começam inverter lógica econômica do setor pet no Brasil

O mercado pet no varejo alimentar passa por mudanças, impulsionado pela maior demanda por produtos voltados para felinos — um comportamento que se consolida desde a pandemia de Covid-19. Levantamento da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo, mostra que, embora a alimentação para cães siga como a principal categoria do segmento, sua participação recuou de 56,2% para 54,1% no acumulado deste ano. Em contrapartida, a alimentação para gatos avançou de 28,4% para 31,0%.

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"Esse movimento vem se consolidando nos últimos anos e acompanha uma mudança estrutural no perfil das famílias. Segundo o Censo do IBGE, os lares unipessoais passaram de 10% para 19% entre 2010 e 2022, e os casais sem filhos, de 20,2% para 24,1%. Em residências menores e com menos moradores, o gato tende a ganhar espaço pelo porte e pela independência. E o crescimento vem da quantidade comprada, não de aumento de preço: o consumidor está, de fato, levando mais produtos para gatos", aponta Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Vestuário e suplementos em alta

Categorias com participação ainda reduzida no mercado pet também se destacam entre os segmentos com maior crescimento no período. Dados coletados diretamente dos cupons fiscais de venda revelam que o vestuário pet apresentou salto de 102,2% em faturamento e alta de 35,7% nas unidades vendidas. Já os suplementos registraram alta de 42,2% em faturamento e de 32,6% em unidades.

No setor de higiene, o avanço foi puxado majoritariamente pelo preço:

  • Areia higiênica: alta de 7,6% em faturamento, com unidades estáveis (+0,1%).
  • Antipulgas e carrapatos: crescimento de 12,4% em faturamento e 0,9% em unidades.
  • Tapete higiênico: alta de 5,1% em faturamento e 2,1% em unidades.

Por outro lado, nem todas as categorias acompanharam o ritmo. Os acessórios recuaram 10,9% em faturamento e 13,6% em unidades, enquanto os produtos para banho caíram 4,4% em faturamento e 9,9% em unidades.

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"Fora da alimentação, os movimentos são bem diferentes entre si. Em vestuário e suplementos, o faturamento cresce junto com as unidades, sinal de demanda. Em itens de higiene como areia e antipulgas, o faturamento sobe com unidades praticamente estáveis, ou seja, o que move a categoria é o preço. Já em acessórios e banho, a queda aparece nas duas métricas. Entender se o motor de cada categoria é demanda, preço ou mix é o que permite à indústria e ao varejo enxergar onde estão as oportunidades", resume Passarelli.

Rações úmidas e petiscos para gatos superam crescimento da ração seca

Dentro do universo felino, o crescimento é generalizado. A ração seca, que responde por 17,5% das vendas da cesta pet, cresceu 12,4% em faturamento e 14,6% em unidades. A ração úmida registrou alta de 11,9% em faturamento e 9,9% em unidades. O principal destaque, contudo, ficou com os petiscos, que avançaram 26,1% em faturamento e 23,1% em unidades, ampliando sua fatia de 1,8% para 2,2% das vendas do setor.

Entre os produtos para cães, o desempenho foi mais heterogêneo. A ração seca — principal item da categoria — recuou 1,3% em faturamento, mesmo com alta de 2,1% nas unidades vendidas. Em contrapartida, a ração úmida cresceu 4,9% em faturamento e 3,1% em unidades.

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"Assim como na alimentação das próprias famílias, vemos um consumidor que busca mais experiência e palatabilidade para o animal de estimação. Nos cães, a ração úmida avança enquanto a seca recua; nos gatos, os petiscos crescem mais de 20% em faturamento e em unidades", conclui Passarelli.

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