Teste genético para cães e gatos antecipa riscos de doenças
Feito uma única vez na vida por coleta bucal indolor, o exame mapeia centenas de predisposições de saúde, sensibilidade a medicamentos e ancestralidade racial

A medicina preventiva veterinária ganhou um reforço tecnológico que promete transformar a relação entre tutores, especialistas e o bem-estar animal: os testes genéticos para cães e gatos. Por meio de uma coleta bucal simples, feita em casa e sem agulhas, a análise de DNA permite identificar previamente variantes associadas a centenas de doenças hereditárias, sensibilidade a fármacos e particularidades físicas do pet.
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A motivação por trás da tecnologia no Brasil nasceu de uma experiência pessoal. Após perder precocemente seu cão da raça boxer, chamado Grizlle, o executivo Eduardo Lemos começou a se questionar se um acompanhamento preventivo baseado no DNA poderia ter apontado caminhos diferentes. A inquietação o levou a aprofundar os estudos na área e a fundar a Petgenoma, healthtech nacional focada em genômica animal. "Não é possível afirmar que um teste teria mudado a história dele, mas a perda me fez pensar em quantos animais poderiam ser acompanhados de maneira diferente se responsáveis e veterinários conhecessem os riscos com antecedência", destaca Lemos.
Como funciona a coleta e a análise laboratorial
O procedimento foi desenhado para ser prático e totalmente livre de estresse para o animal. O teste é realizado em casa, com um kit do petgenoma. No estojo, há uma haste coletora (swab) e instruções. A coleta é indolor, feita uma leve fricção na parte interna da bochecha do pet, sem necessidade de sedação ou agulhas. O material é enviado ao laboratório da empresa, situado no parque tecnológico da Universidade de São Paulo (USP). O laudo completo fica pronto em até 15 dias úteis.
A qualidade do diagnóstico depende diretamente da fase inicial. Segundo Arthur Silva, gerente regional de Diagnósticos de Precisão para a América Latina na QIAGEN (fornecedora da tecnologia de extração do DNA), o processo de coleta é fundamental para o sucesso do teste. "Se a amostra rende pouco material ou chega degradada, o laboratório não consegue analisar. O coletor adequado e a química de extração garantem que essa etapa não seja o ponto fraco do exame", explica Silva.
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Alerta preventivo, não diagnóstico fechado
Diferente dos exames de sangue ou imagem — que retratam a saúde do pet em um momento pontual —, o teste de DNA só precisa ser feito uma vez na vida, já que o código genético não se altera. Quanto mais jovem o animal ao ser testado, mais tempo o veterinário tem para traçar planos preventivos.
Os especialistas reforçam, contudo, que o teste genético aponta predisposição, e não um diagnóstico de doença ativa.
O que o teste faz: Mostra se o pet carrega alterações genéticas com maior probabilidade estatística de desenvolver certos problemas.
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O que o teste não faz: Não sentencia que a doença vai se manifestar e nem substitui consultas clínicas.
Conduta clínica: O laudo deve ser avaliado pelo médico-veterinário junto ao histórico, exames de rotina, idade, peso e estilo de vida do pet.
"O teste não prevê o futuro. Seu valor está em oferecer uma informação antes indisponível para que tutor e veterinário ajustem rotinas, exames e sinais de alerta precocemente", pontua Lemos.
Farmacogenética e segurança em tratamentos
Outro pilar de destaque é a farmacogenética, ramo que estuda como o perfil de DNA influencia a absorção e a resposta a determinados remédios.
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Variantes genéticas podem fazer com que um animal metabolize medicamentos de forma mais lenta ou tenha reações adversas severas. Conhecer essas particularidades traz mais segurança em:
Procedimentos cirúrgicos e protocolos anestésicos;
Tratamentos de doenças crônicas;
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Escolha de dosagens e princípios ativos mais eficazes.
Cobertura dos painéis genéticos
Os testes atuais cobrem um amplo espectro de informações clínicas e biológicas:
Cães: Avaliação de mais de 300 riscos genéticos à saúde;
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Gatos: Mapeamento de mais de 90 predisposições hereditárias;
Áreas cobertas: Condições cardíacas, renais, oftalmológicas, neurológicas, riscos oncológicos e tendência à obesidade;
Características gerais: Mapeamento de linhagem racial, consanguinidade, traços físicos e comportamentais.
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A abordagem reflete uma mudança de paradigma nos cuidados veterinários, assemelhando-se à importância dos calendários vacinais: enquanto as vacinas protegem contra patógenos externos, o mapa genético ajuda a blindar o animal contra riscos intrínsecos à sua própria biologia.
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