Brasil retoma diálogo sobra taxas com EUA e diz buscar 'acordo equilibrado'
Os dois países fizeram reunião virtual e se comprometeram a reabrir as discussões para resolver impasse
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomaram formalmente nesta segunda-feira (31) as negociações sobre suas relações comerciais. Ministros brasileiros e a representação de comércio norte-americana reuniram-se de forma virtual, nesta tarde, com o objetivo de discutir a aplicação de barreiras alfandegárias contra produtos brasileiros.
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O encontro contou com a participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Pelo lado norte-americano, as conversações foram conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
A pauta prioritária da reunião foi buscar avanços no diálogo sobre duas decisões recentes de Washington de aplicar novas tarifas a produtos do Brasil. Essas tarifas foram estabelecidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos e totalizaram sobretaxas de 37,5% a alguns produtos (25% + 12,5%).
Discordância e Críticas
Durante a reunião, a delegação brasileira reiterou que não concorda com as medidas unilaterais adotadas pelo governo norte-americano, salientando que tais ações são incompatíveis com as regras multilaterais de comércio. Os ministros brasileiros apontaram que as justificativas apresentadas pelos EUA nas conclusões das investigações da Seção 301 não correspondem às práticas comerciais reais do Brasil.
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Diante disso, o governo brasileiro classificou a imposição tarifária como um tratamento discriminatório e injusto. Entre os pontos levantados pelo governo norte-americano quando decidiu pelas tarifas estão negociações bilateriais injustas, que favoreceriam o Brasil em detrimento dos EUA, e medidas como a falta de políticas de combate ao trabalho escravo e ao desmatamento.
Apesar do forte descontentamento com as tarifas, o Brasil reafirmou que permanece plenamente aberto ao diálogo com as autoridades de Washington, sustentado pelos históricos laços de amizade e pela parceria comercial mutuamente benéfica que une os dois países.
Cronograma e próximos passos
Para dar andamento às tratativas, as equipes de ambos os países realizarão reuniões técnicas ao longo das próximas semanas, sendo admitido que os encontros ocorram de forma presencial ou virtual.
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Após essa fase de articulação técnica, os ministros e o representante de comércio dos EUA voltarão a se reunir em data oportuna para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais. O governo brasileiro reforçou que continuará a buscar um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.
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