Política

Conheça a história do brasileiro que se elegeu sem sequer votar em si mesmo

Nas eleições de 1945, Hermelindo Castelo Branco garantiu uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PSD do Acre graças à força do partido e às regras de sobra

2 min

30/08/2026 14:45 • Atualizado há 1 dia

Conheça a história do brasileiro que se elegeu sem sequer votar em si mesmo

As regras do sistema eleitoral brasileiro costumam reservar surpresas matemáticas e curiosidades que parecem improváveis. Entre os episódios mais impressionantes da história política brasileira está o de Hermelindo Castelo Branco, que conquistou uma cadeira no Congresso Nacional nas eleições de 1945 sem ter recebido um único voto nominal — nem mesmo o dele.

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O caso curioso aconteceu na redemocratização do país após o fim do Estado Novo, quando os eleitores foram às urnas em 2 de dezembro de 1945 para eleger o presidente da República e os deputados federais da Assembleia Nacional Constituinte de 1946.

Como a eleição sem votos foi possível?

Hermelindo candidatou-se a deputado federal pelo PSD (Partido Social Democrático) pelo então Território Federal do Acre. Naquela época, o sistema de representação proporcional seguia lógicas matemáticas estritas baseadas na força dos partidos e das legendas.

O cenário que permitiu a vitória sem votos envolveu três fatores principais:

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Votação massiva da legenda: O PSD teve um desempenho expressivo no Acre, impulsionado por outro candidato do partido (Hugo Ribeiro Carneiro), que obteve uma votação expressiva.

Quociente eleitoral elevado: A soma dos votos dados ao partido gerou um quociente eleitoral tão alto que garantiu à sigla várias vagas na Câmara dos Deputados.

Distribuição de sobras: Como o partido conquistou mais cadeiras do que o número de candidatos populares com votos expressivos, as chamadas "sobras de partido" foram distribuídas entre os demais nomes registrados na nominata da legenda.

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Com o nome preenchendo a lista partidária, Hermelindo acabou sendo beneficiado pelas regras matemáticas das sobras e foi formalmente declarado eleito, mesmo contabilizando zero voto individual na urna.

Atuação no Congresso

Apesar de ter chegado ao cargo por uma anomalia estatística e sem o endosso direto dos eleitores, Hermelindo Castelo Branco exerceu suas funções parlamentares normalmente. Ele participou dos trabalhos da Constituinte de 1946, integrou comissões voltadas para o desenvolvimento regional — como a Comissão Especial de Valorização da Amazônia — e presidiu a Comissão Permanente de Legislação Social da Câmara. Com o fim dos trabalhos constituintes, permaneceu no cargo durante todo o mandato ordinário, até 1951.

O episódio permanece até hoje como um dos maiores clássicos nos manuais de direito eleitoral brasileiro, ilustrando o peso que a força partidária e o sistema proporcional podem ter sobre os votos nominais.

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