Dívida com a União, privatizações e segurança pública dominam debate em MG
Primeiro debate entre postulantes ao Palácio Tiradentes teve cinco participantes e ausência de Patrus Ananias, que alegou compromisso em São Paulo
O primeiro debate entre candidatos ao governo de Minas Gerais colocou frente a frente, na noite deste domingo (16), Mateus Simões (PSD), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL).
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Ao longo dos blocos, os candidatos discutiram a situação fiscal do estado, a renegociação da dívida com a União, mineração, privatizações, concessões de rodovias e segurança pública.
O candidato do PT, Patrus Ananias, não participou. Segundo sua assessoria, o petista tinha compromisso em São Paulo relacionado ao lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
Dívida com a União
A dívida de Minas Gerais com a União esteve entre os principais temas discutidos pelos candidatos. O Estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado para viabilizar a renegociação dos débitos estaduais com o governo federal. O passivo mineiro é estimado em cerca de R$ 200 bilhões.
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Ao abordar o tema, Kalil criticou os termos do programa e afirmou que a renegociação impõe ao Estado responsabilidades que, segundo ele, deveriam ser discutidas em outras condições.
Cleitinho defendeu uma negociação direta com o governo federal e resumiu sua posição durante o debate: “Se eu estou devendo uma pessoa não tem como eu brigar com ela. O que precisamos é diálogo”.
Roscoe, por sua vez, disse que pretende recorrer à bancada mineira no Congresso para aumentar a pressão sobre Brasília nas negociações envolvendo a dívida.
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Azevedo afirmou que Minas precisa manter o compromisso de pagar a dívida, mas associou a solução à contenção de despesas. “Minas escolheu: vamos pagar a dívida, mas sem pagar juros. Mas para isso, temos que fazer o dever de casa, que é não gastar mais do que arrecada”, declarou.
Simões defendeu a manutenção do pagamento e afirmou que o Estado já trabalha dentro dos limites de sua capacidade financeira. “Em Minas, se paga o que deve”, disse. Segundo o governador, a negociação também deveria considerar os recursos enviados por Minas Gerais à União e o retorno desses valores em investimentos no Estado.
O tema fiscal também apareceu associado às propostas dos candidatos para o próximo mandato. Azevedo afirmou que pretende rever subsídios concedidos a empresas mineiras. Kalil, em outros momentos da campanha, também tem colocado a revisão de benefícios fiscais entre as medidas para enfrentar a situação financeira do Estado.
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Mineração entra no debate
A atividade mineradora foi outro assunto discutido pelos candidatos. Azevedo questionou Roscoe sobre mecanismos para evitar corrupção no setor e garantir a proteção ambiental.
O candidato do PL defendeu a continuidade da exploração mineral dentro das regras estabelecidas pelos órgãos públicos. “Sempre defendi a mineração sustentável. A mineração irregular deve ser punida com força da lei”, afirmou.
Segurança pública
O tema da segurança pública também gerou embates entre os candidatos. Azevedo apresentou a valorização das forças policiais como uma das prioridades de seu programa e afirmou que pretende ampliar a estrutura oferecida aos agentes.
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Nas considerações finais, o candidato voltou ao tema ao dizer que seu plano prevê medidas para áreas como saúde, educação e segurança. “Aqui está um cara que está do lado da polícia”, afirmou.
Cleitinho também utilizou sua fala para apresentar sua candidatura como uma alternativa que, segundo ele, não estaria restrita a um campo político. O senador se identificou como de direita, mas afirmou que pretende governar sem dividir o eleitorado.
“Também sou de direita, mas meu coração é para todos. Vou servir meu povo com muita honra e muito amor. Quero governar para todos”, disse.
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Kalil relembra passagem pela Prefeitura de BH
A experiência administrativa foi usada por Kalil como argumento para disputar novamente o governo de Minas. O ex-prefeito de Belo Horizonte citou sua passagem pela administração municipal e afirmou que pretende concentrar o governo em serviços públicos.
“Eu fui prefeito de uma cidade, eu cuidei de gente”, afirmou. Na sequência, citou investimentos realizados durante sua gestão e mencionou áreas como saúde e atendimento hospitalar.
Kalil também criticou a concentração do debate político em temas como tecnologia e inteligência artificial quando, segundo ele, problemas relacionados à assistência à saúde continuam sem solução.
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Azevedo cita benefício fiscal ligado à família de Zema e critica bets
Azevedo, ex-vereador de Belo Horizonte, questionou durante o debate a política de benefícios fiscais adotada em Minas Gerais. Ao responder a Cleitinho sobre o IPVA, o candidato citou um benefício fiscal relacionado a uma empresa da família do ex-governador e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) e defendeu uma revisão dos incentivos concedidos pelo Estado a grandes empresas.
“Temos que rever”, afirmou Gabriel, ao questionar a carga tributária enfrentada pelos pequenos contribuintes em comparação com os benefícios concedidos a empresas.
Nas considerações finais, o candidato também abordou as apostas esportivas e fez uma associação entre as bets e a escolha do eleitor nas urnas. Ao defender que a população avalie as propostas apresentadas pelos candidatos, afirmou: “Eleição não é aposta, não é bet. Bet faz mal. Para de jogar”.
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Roscoe se apresenta como candidato da direita
Roscoe utilizou o encerramento para marcar sua posição no campo político. O candidato do PL afirmou que pretende ocupar o espaço da direita na disputa estadual e associou sua candidatura à oposição ao PT.
“Sou o candidato da direita”, declarou.
Roscoe também afirmou estar insatisfeito com a situação econômica e política do país e disse que Minas Gerais poderia apresentar resultados diferentes. O candidato citou ainda problemas de atendimento na saúde como uma das áreas que, em sua avaliação, precisam de mudanças.
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Simões defende gestão e critica rumo do debate
Simões encerrou sua participação destacando a administração do Estado nos últimos anos. O governador afirmou que recebeu Minas Gerais em situação fiscal difícil e atribuiu à atual gestão a reorganização das contas públicas.
“Em 2019, nós assumimos um estado quebrado e colocamos as contas em ordem”, afirmou, ao mencionar o início da gestão de Romeu Zema, da qual foi vice-governador antes de assumir o comando do Estado.
Simões também fez uma avaliação do tom do confronto. “Lamento que em algum momento, não por mim, mas que a discussão possa ter descambado”, afirmou.
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Cleitinho cita dívida para falar de salário de professores e promete não usar fundo eleitoral
Ao discutir a educação em Minas Gerais, Cleitinho relacionou a situação salarial dos professores às restrições fiscais provocadas pela dívida do Estado. “Com essa questão da dívida fiscal, a gente sabe que não pode dar aumento”, afirmou.
O candidato do Republicanos defendeu, ao mesmo tempo, a valorização dos profissionais da educação e disse que, se eleito, pretende nomear uma mulher e servidora de carreira para comandar a Secretaria de Estado de Educação.
Nas considerações finais, Cleitinho também destacou sua trajetória pessoal e citou sua origem no comércio de hortaliças. “Eu sou um verdureiro. Mas Deus não escolhe o capacitado, ele capacita o escolhido”, afirmou. O senador declarou ainda que pretende não utilizar recursos do fundo eleitoral durante a campanha.
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