Defesa de Lulinha cita 'interesses políticos' após vazar dados de viagem
Lobista Roberta Luchsinger teria organizado viagem de R$ 1,8 milhões para filho do presidente Lula em 2025, diz jornal

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reagiu à divulgação de informações sobre uma suposta viagem de luxo à Europa acusando agentes estatais de atuarem movidos por "interesses políticos" para contaminar as investigações e influenciar o processo eleitoral.
Continua depois da publicidade
Os vazamentos criminosos são pautados por interesses políticos de agentes estatais quecontaminam a investigação com parcialidade e política, gerando nulidades e sacrificandoa legitimidade da investigação em troca de manchetes e influência sobre o processoeleitoral. --defesa de Lulinha
A afirmação acontece em resposta a reportagens que revelaram detalhes de um orçamento de R$ 1,868 milhão encontrado pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger que seria de uma viagem para Lulinha acompanhar a aurora boreal na Suécia e na Finlândia, além de uma estadia na Suíça com serviços de alto padrão.
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (29), os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori Santos, que representar o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmaram que a defesa não teve acesso a nenhum documento oficial da apuração e criticaram a exposição pública de dados "precários e não verificados".
Continua depois da publicidade
Para os defensores, a veiculação de trechos descontextualizados tenta transformar meras hipóteses investigativas em fatos consumados antes de qualquer checagem ou direito de defesa.
Críticas a vazamentos
Na nota, os advogados sustentam que o vazamento de planilhas e orçamentos sem a comprovação de pagamento, divisão de custos, ressarcimento ou origem dos recursos viola o dever legal de imparcialidade por parte de autoridades públicas. A defesa enfatizou o respeito à imprensa e ao sigilo das fontes, mas ponderou que tais garantias não cobrem atos ilícitos cometidos por agentes do Estado destinados a gerar manchetes e desgaste político.
O cenário é semelhante ao que aconteceu no inquérito do INSS, quando vazamentos seletivos levaram a um linchamento público antecipado com desproporcional cobertura da mídia e clara intenção eleitoral. Aprofundadas as investigações, demonstrou-se que não existia conexão entre Fábio Luís e as fraudes do INSS apuradas na Operação Sem Desconto, na qual ele não foi sequer indiciado. --Defesa Lulinha em nota
O orçamento da PF e a investigação no STF
As informações da suposta viagem de Lulinha financiada pela lobista foram reveladas pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo ela, o relatório da PF aponta que a viagem estava prevista para janeiro de 2025, com custo médio estimado em R$ 266 mil por pessoa. A programação incluía hospedagem em resort nos Alpes Suíços, seis dias de esqui, chef particular e o fretamento de um jatinho da Suíça para Estocolmo ao custo de R$ 220 mil.
Continua depois da publicidade
A logística do itinerário teria contado com o auxílio da consultora de viagens de luxo Marina Mantega, e mensagens interceptadas sugerem o pagamento de um sinal de R$ 339 mil em outubro de 2024 pela lobista. A apuração corre sob sigilo no STF sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
A Polícia Federal investiga se o custeio do passeio envolveu suspeitas de tráfico de influência para favorecer a fábrica de fertilizantes Unigel em negociações com a Petrobrás. Ao todo, Lulinha é mencionado em três inquéritos na Corte que apuram suposta atuação junto ao governo federal.
Fique por dentro das últimas
notícias
