Política

Defesa de Lulinha diz que setores da PF 'extrapolam limite ético e legal'

Marco Aurélio Carvalho criticou instituição após vazamento de dados da investigação contra Lulinha

2 min

21/08/2026 15:40 • Atualizado há 9 dias

Defesa de Lulinha diz que setores da PF 'extrapolam limite ético e legal'

A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acusou nesta sexta-feira (21) “setores da Polícia Federal (PF)” de agirem de acordo com interesses políticos e eleitorais. A declaração foi feita pelo advogado Marco Aurélio Carvalho exclusivamente ao jornalismo da Band, após o vazamento de dados sigilosos da investigação que acontece contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Quem extrapola os limites éticos e legais são setores da Polícia Federal instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais. Em uma democracia de dimensões continentais como a democracia brasileira, nós temos que ganhar ou perder no voto, não no tapetão. --Marco Aurélio Carvalho

A manifestação do advogado de Lulinha ocorre logo após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolher um pedido dos defensores do empresário e ordenar que a corporação investigue a origem do vazamento. Mendonça destacou, em seu pedido de apuração encaminhado à PF, que a quebra de sigilo judicial não torna os dados públicos e impõe às autoridades com acesso restrito o estrito dever de custódia.

O relator enfatizou que as diligências devem focar a identificação de agentes públicos ou terceiros com dever funcional de preservar o sigilo, ressaltando expressamente que jornalistas e veículos de comunicação não são alvo da investigação, assegurando a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

O advogado de Lulinha declarou que a defesa “reconhece, louva e aplaude” a decisão de Mendonça, mas lamentou que a medida possa não surtir os efeitos práticos sobre o atual cenário eleitoral. Segundo Marco Aurélio, a expectativa era de que providências tivessem sido tomadas anteriormente --em representações enviadas à PF, ao ministro Flávio Dino e ao Ministério da Justiça-- para impedir a "contaminação" ou interferência.

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Infelizmente, agora, essa medida, caso a gente consiga descobrir quem são os culpados, vai ter um efeito meramente pedagógico. Para evitar, quem sabe, que uma coisa parecida volte a ocorrer no futuro, em algum outro momento. --Marco Aurélio Carvalho

Investigação contra Lulinha

A apuração contra Lulinha busca esclarecer uma suposta atuação de tráfico de influência em benefício do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Ele é apontado como operador de um esquema de fraudes na Previdência que teria desviado bilhões de reais de pensionistas.

Segundo a linha investigativa, Lulinha teria atuado no mercado de cannabis medicinal e recebido recursos de Antunes. Transferências que somam R$ 1,5 milhão para a consultoria da empresária Roberta Luchsinger, ligada ao empresário, passaram a ser analisadas pelos investigadores. A corporação vê indícios de ocultação patrimonial e possível lavagem de dinheiro.

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