2026

‘Bolsonaro da Shopee’ e ‘Lula da Tapioca’: o desempenho dos candidatos que pegaram ‘carona’ nos nomes dos presidentes

Ao longo da campanha eleitoral de 2026, ao menos 29 candidatos a diversos cargos incluíram menções aos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Jair

6 min

07/10/2026 07:00 • Atualizado há 10 dias

‘Bolsonaro da Shopee’ e ‘Lula da Tapioca’: o desempenho dos candidatos que pegaram ‘carona’ nos nomes dos presidentes

Ao longo da campanha eleitoral de 2026, ao menos 29 candidatos a diversos cargos incluíram menções aos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Jair Bolsonaro (PL) em seus nomes de urna — mesmo que não tenham relação familiar ou partidária com ambos.

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No primeiro turno, realizado no último domingo (4), quatro desses candidatos foram eleitos, seis não foram e 19 acataram recursos da Justiça Eleitoral para retirar as menções nos próprios nomes políticos (entenda mais abaixo). A seguir, veja o desempenho dos candidatos que adotaram a estratégia e conseguiram manter alusões aos presidentes.

Parlamentares eleitos com nomes de Lula ou Bolsonaro

Lula da Fonte (PP)

Aos 25 anos, foi reeleito deputado federal em Pernambuco, com 147.913 votos válidos recebidos. Com o nome de registro Luiz Eduardo de Queiroz Campos da Fonte Albuquerque, vem de uma família com carreira na política: é filho do deputado federal Eduardo da Fonte e neto do ex-governador de Pernambuco Carlos Wilson Campos.

É o segundo mandato de Lula da Fonte como deputado federal. Foi eleito pela primeira vez em 2022 aos 21 anos, tornando-se o deputado mais jovem do Nordeste a chegar ao pleito. Na Câmara, integra comissões especiais de diversos temas — do turismo e saúde até fiscalização financeira — e é, desde fevereiro de 2025, segundo-secretário da Mesa Diretora. Também chegou a presidir interinamente a Câmara, tornando-se o parlamentar mais jovem a fazê-lo.

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Não há uma relação clara entre o nome do parlamentar com o do atual presidente. Além disso, o partido dele, PP, deixou oficialmente de fazer parte da bancada do PT em setembro de 2025.

Júlio César O Julim do Lula (PSD)

Eleito senador pelo Piauí aos 78 anos, foi o segundo mais votado ao pleito com 989.146 votos. Ele assumirá a cadeira do estado ao lado de Marcelo Castro (MDB). É advogado, professor e agricultor. Foi prefeito do município de Guadalupe, onde nasceu, em dois turnos entre as décadas de 1970 e 1990.

Júlio César foi eleito pela primeira vez à Câmara dos Deputados em 1995 e teve sete mandatos como deputado federal até chegar ao Senado. A atuação do parlamentar está voltada a pautas ligadas ao agronegócio, trabalhadores rurais, desenvolvimento e incentivos fiscais. É abertamente apoiador do presidente Lula.

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Samanda de Lula (PT)

Com 635.924 votos recebidos, Samanda de Lula tornou-se a segunda mais votada no Rio Grande do Norte para ocupar uma cadeira no Senado nos próximos oito anos. Sua campanha ganhou força após receber apoio da governadora Fátima Bezerra, que desistiu da candidatura ao Senado.

Nascida em Mossoró, tem 46 anos e é formada em Engenharia da Computação. Foi assessora parlamentar, servidora pública e dirigente partidária, sendo filiada ao PT desde a juventude. Atuou na articulação política e em diversas equipes técnicas de secretarias e gabinetes do governo de Bezerra.

Mulher lésbica, Samanda fez parte do Ministério dos Direitos Humanos do governo de Dilma Rousseff, onde, entre outros cargos, foi coordenadora nacional de políticas LGBTQIA+. Foi candidata à deputada federal em 2022, mas não se elegeu. Em 2024, foi eleita vereadora em Natal.

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Fão do Bolsonaro (PL)

Nome político de Crysthofour Pereira de Almeida, Fão do Bolsonaro tem 35 anos, é apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi eleito deputado estadual com 48.007 em todo o Paraná, tendo sido o mais votado de Cascavel (cidade que corresponde a 20,12% dos votos que ele recebeu).

O empresário e corretor de imóveis foi eleito pela primeira vez na Assembleia Legislativa como suplente em 2022. Em 2024, elegeu-se vereador de Cascavel e, na Câmara Municipal, foi escolhido o segundo vice-presidente da Mesa Diretora entre 2025 e 2026.

Em seu plano de governo e durante a campanha, Fão do Bolsonaro destacou apoio a pautas conservadoras, além de combate à corrupção, expansão da agricultura e defesa da liberdade de expressão. Evidentemente, também destacou-se por falas contra o presidente Lula e por apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.

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Candidatos que não foram eleitos

Bolsonaro da Shopee (Novo)

Bolsonaro da Shopee, nome político de Vilmar Rigo, esteve entre os concorrentes a uma cadeira na Câmara dos Deputados por Mato Grosso. Ele recebeu 2.142 votos e não foi eleito.

Vilmar aderiu ao nome da família Bolsonaro também pela fisionomia considerada semelhante à do ex-presidente, o que conseguiu colocá-lo como uma personalidade de alcance durante a campanha eleitoral deste ano. O apelido repercutiu primeiro nas redes sociais e, depois, foi adotado por ele na urna. É pecuarista e concluiu o ensino médio.

Freitas Bolsonaro (DC)

O candidato a deputado federal no Espírito Santo não tem ligação familiar com a família Bolsonaro e usou o nome para angariar votos por meio da identificação política com o bolsonarismo. Mas não deu certo: recebeu 335 votos e ficou de fora do quadro atual da Câmara.

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Edson Alves de Freitas, nome de registro de Freitas Bolsonaro, tem 59 anos. Ele nasceu em Vitória, é servidor público estadual e tem ensino superior completo. Desde 2004, Edson disputou 10 eleições em cargos estaduais por diversos partidos, mas não foi eleito para nenhum mandato.

Renata Bolsonaro (Agir)

Renata Cristina Tedesque Bolsonaro, de 49 anos, buscou a vaga de deputada federal em São Paulo durante as eleições de 2026, mas não foi eleita. Professora de ensino fundamental, tentou se eleger vereadora em 2024, também pelo Agir, mas não conseguiu os votos necessários para ocupar o pleito. Ela não tem relação familiar com os Bolsonaro.

Helio Rodrigues Bolsonaro (Democrata)

Candidato a senador no Tocantins de 58 anos, Hélio Rodrigues Carvalho adotou o sobrenome dos Bolsonaro na urna para tentar cativar a atenção de eleitores bolsonaristas. Ele disputou uma das duas cadeiras ao Senado, recebeu 3.254 votos e não foi eleito. Ele chegou a ter a candidatura indefinida sob judice pelo TSE pelo uso "indevido" do sobrenome Bolsonaro e, de qualquer maneira, não conseguiria chegar ao cargo.

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Esta foi a terceira eleição disputada por Hélio Rodrigues, que tem 57 anos. A primeira foi para vereador, em 2016, também pelo Democrata; a segunda, para deputado federal em 2022, pelo partido Patriota. Nas duas ocasiões, também não se elegeu. Segundo registro do TSE, é vendedor pracista, representante, caixeiro-viajante e assemelhados.

Rodrigo de Bolsonaro (Agir)

Karlo Rodrigo Lucio Vieira, que registrou o nome nas urnas como Rodrigo de Bolsonaro, é empresário, tem 46 anos e foi candidato ao governo do Rio Grande do Norte, mas não foi eleito. Ele recebeu 434 votos.

Lula da Tapioca (Mobiliza)

Nome político de Luiz Gonzaga Rodrigues Filho, Lula da Tapioca, de 56 anos, concorreu para deputado federal pela Paraíba nestas eleições gerais, mas não foi eleito. Esta é a segunda vez que o candidato buscava eleição.

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A primeira disputa foi em 2024, quando buscou eleger-se vereador e ficou na suplência após receber 311 votos. Por esta razão, a depender da vacância na Câmara Municipal, pode conseguir ser incorporado ao quadro de vereadores com mandatos que expiram em 2028. Segundo dados de sua candidatura no TSE, nasceu em João Pessoa e tem ensino fundamental incompleto.

Justiça Eleitoral barrou sobrenome ‘Bolsonaro’ a candidatos sem parentesco

Desde 2024, o Ministério Público Eleitoral (MPE) defende o impedimento do uso de sobrenomes de políticos consagrados por candidatos sem relação familiar com eles. O entendimento do órgão é de que pode haver confusão ou indução ao erro para o eleitor, o que configuraria favorecimento indevido aos candidatos.

Neste ano, decisões judiciais no Rio de Janeiro e no Mato Grosso determinaram que as referências ao presidente Bolsonaro fossem retiradas dos nomes de identificação dos candidatos.

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Entre os exemplos marcantes desta corrida eleitoral estão Bruno Scheid (PL-RO), que concorreu ao senado e havia se registrado como Bruno Bolsonaro Scheid; e Fabiana de Lima Barroso Souza (PL-SP), que registrou-se como Fabiana Bolsonaro para disputar o cargo de deputada estadual. Mesmo sem o nome do presidente, ambos foram eleitos.

Contudo, outros candidatos conseguiram “burlar” a determinação e concorreram com referências diretas à família Bolsonaro e a Lula.

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