Eleições

Andreazza: Desculpas de Flávio exigem controle do "bolsonarismo eduardista"

Comentarista avalia que apelo à ex-primeira-dama busca fato novo antes de convenção partidária, mas não terá efeito sem pacificação interna

3 min

23/07/2026 17:57 • Atualizado há 39 dias

O jornalista comentarista Carlos Andreazza avaliou, no programa Expresso BandNews desta quinta-feira (23), que o vídeo em que o senador Flávio Bolsonaro pede desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não trará resultados práticos se o parlamentar não contiver a ala radical ligada ao seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

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A manifestação de Flávio ocorreu por meio de uma gravação publicada em suas redes sociais, na qual convidou a madrasta para integrar sua campanha presidencial e fez um apelo pela união da militância política. Para Andreazza, o gesto público do pré-candidato faz parte de uma movimentação ensaiada com a liderança partidária, mas perde força diante das investidas contínuas de aliados próximos do grupo familiar.

"Nada disso vai adiantar. É o segundo pedido de desculpa que Flávio Bolsonaro faz depois do episódio do vídeo da Michelle. Isso não vai ter nenhum efeito se Flávio Bolsonaro - que faz aquela coisa do morde e assopra, ele assopra e o pessoal lá nos Estados Unidos mordendo - não controlar o que eu chamo de 'bolsonarismo eduardista', que é a turma do irmão dele, a turma dos Estados Unidos", afirmou o comentarista.

O analista ressaltou que a estratégia de aceno diplomático contrasta com a atuação de bastidor do núcleo aliado. "É uma posição confortável. Eu faço esse papel, tento conciliar, mas na prática os meus estão atacando. Então não vai adiantar nada", completou Andreazza.

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Na avaliação do jornalista, a divulgação do vídeo atende a uma necessidade imediata de reagir ao desgaste acumulado nos últimos meses, mirando o calendário partidário do Partido Liberal. "Do ponto de vista imediato, Flávio Bolsonaro precisa de um fato novo, precisa de que alguma coisa positiva aconteça. Ele está há 90, 100 dias tomando caldo, levando na cabeça uma atrás da outra, muitas vezes ondas que ele mesmo levantou contra si ou os seus. Amanhã tem a convenção do PL, esse é o grande fato", pontuou.

Ao analisar o posicionamento das lideranças do grupo, Andreazza destacou divergências quanto aos horizontes eleitorais de cada projeto político. "Está todo mundo no pós-Jair Bolsonaro nessa história. Está todo mundo pensando em 2030: Michelle está pensando em 2030, Eduardo Bolsonaro está pensando em 2030. Só quem está pensando em 2026, a bem da verdade, é Flávio Bolsonaro", analisou.

O jornalista ponderou ainda que o objetivo central da pré-candidatura ultrapassa a disputa nas urnas no curto prazo, focando na liderança do campo conservador. "O mais importante é manter o controle sobre a direita. Por isso ele foi escolhido, é o filho primogênito, o mais velho. Vestiu a fantasia do 'bolsonarista moderado' - um oxímoro, uma contradição em termos. Foi nessa, não deu certo e agora, sob grande pressão, está voltando para a militância em busca da sobrevivência", concluiu Andreazza.

Andreazza: Desculpas de Flávio exigem controle do "bolsonarismo eduardista"