Eleições

Ausências em debate são erros e ignoram eleitor indeciso, diz analista

Fernando Schüler afirma no Canal Livre que medo do contraditório afasta políticos do confronto

5 min

24/08/2026 09:00 • Atualizado há 7 dias

As ausências de Romeu Zema (Novo), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro debate presidencial promovido pelo Grupo Bandeirantes, neste domingo (23), foram classificadas como um erro estratégico de campanha pelos comentaristas do programa Canal Livre.

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Durante o programa, o cientista político Fernando Schüler analisou o impacto da cultura digital no comportamento dos postulantes ao Planalto. Segundo o analista, a dinâmica das plataformas digitais tem estimulado o isolamento dos candidatos e o receio do debate direto.

Acho que existe uma mutação na democracia, em função da democracia digital. É uma democracia onde todo mundo fala, mas pouca gente escuta. Todo mundo tem milhões de pessoas que tem rede social que são influencers que tem tribos, mas ninguém quer ouvir um argumento então a lógica do debate perde espaço na democracia – analisou Schüler.

Schüler ressaltou que a escolha de se comunicar apenas com bolhas de simpatizantes acarreta riscos à saúde do debate público.

Nós estamos vivendo um experimento, um sinal sobre a nossa democracia. Um sinal ruim. É um sinal preocupante. Significa que é melhor eu falar sozinho, fazer uma live e falar com a minha tribo, onde eu não tenho contraditório, do que eu me expor a um ambiente de incerteza. O ambiente do debate é um ambiente de incerteza. É o ambiente do contraditório – declarou Fernado Schüler.

Schüler pontuou ainda que as equipes dos candidatos podem estar subestimando a influência do debate sobre uma fatia decisiva do eleitorado, lembrando a margem apertada da última eleição para presidente que separou Lula e Jair Bolsonaro por apenas 1,9% dos votos.

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Só que pode ter um erro aqui. Qual é o erro? O eleitor que decide a eleição não é aquele que já definiu votar no Lula ou que já definiu votar no Flávio Bolsonaro. Esse não vai mudar de voto, ou dificilmente vai mudar. Mas tem 5%, 6%, 7%, 8% do eleitor. Eu gosto de chamar o eleitor indiferente, o eleitor que demora mais para tomar decisão. Esse eleitor pode ser impactado. E aí eu acho que talvez os marqueteiros não estão avaliando o impacto desse eleitor. A última eleição foi decidida por menos de 2% dos votos. 1,9% – finalizou Fernando Schüler.

Como foi o primeiro debate presidencial

O primeiro debate presidencial das Eleições 2026 foi marcado pela ausência e pelo impacto dos púlpitos vazios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).

A noite quase tomou um rumo inesperado antes mesmo do início da transmissão, quando o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) ameaçou não participar do encontro em protesto contra a falta dos líderes das pesquisas. Ele só reverteu sua decisão de abandonar o evento após conversar nos bastidores com o jornalista Fernando Mitre.

Caiado foca em "fujões", segurança e "autoridade moral"

Ronaldo Caiado (PSD) chamou os candidatos ausentes de "fujões" que decidiram não comparecer por não terem como explicar os escândalos em que estão envolvidos. Ele criticou diretamente as investigações dos adversários, destacando que Flávio Bolsonaro tenta fugir das explicações do caso "Dark Horse", enquanto o presidente Lula está associado ao "dark lobby".

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No campo das propostas, Caiado afirmou que o Brasil vive um "clima de guerra" comandado por facções criminosas e defendeu dar autoridade para os governadores legislarem sobre segurança pública. Para a recuperação da economia, o candidato propôs um choque de credibilidade baseado na "autoridade moral" para conter as despesas públicas e reduzir a taxa de juros.

A provocação e a linha dura de Renan Santos

Renan Santos (Missão) também buscou confrontar a polarização e iniciou sua participação de forma provocativa, carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio na chegada à emissora para ironizar a ausência de ambos.

Em suas propostas voltadas à segurança pública, o candidato defendeu a decretação de Estado de Defesa e a abertura de centenas de milhares de vagas em superpresídios de segurança máxima.

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No setor trabalhista, Santos posicionou-se de forma contrária ao fim da escala 6x1, classificando a promessa governista como inviável diante do cenário de crise econômica no país.

Já na educação, criticou o analfabetismo funcional e propôs a criação da Lei de Responsabilidade Gerencial para punir e tornar inelegíveis os prefeitos que não atingirem metas básicas de ensino.

As propostas de Cury contra a agressividade

Como contraponto, Augusto Cury censurou o tom adotado por Renan Santos, afirmando que a agressividade do oponente o "assombra" e asfixia a capacidade de divergência democrática.

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Cury defendeu a pacificação do país e a constituição de um "time de ouro" técnico e livre de corrupção, assegurando que, sob sua gestão, o desvio de verba pública será punido como um crime violento.

O candidato também contrapôs as discussões trabalhistas defendendo a jornada de trabalho 5x2 com foco na saúde mental do trabalhador. Por fim, Cury criticou o alto custo de juros que afeta os agricultores e eleva os índices de depressão no campo, sugeriu reformular a educação básica para focar no desenvolvimento socioemocional e criticou a exposição precoce de crianças às redes sociais.

Quando será o próximo debate eleitoral?

Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:

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  • 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
  • 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
  • 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
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