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Avanço evangélico nas urnas redesenha força política no Brasil

Crescimento religioso impulsiona candidatos conservadores e pode alterar equilíbrio entre Congresso, Planalto e STF

4 min

05/10/2026 22:00 • Atualizado há 12 dias

Avanço evangélico nas urnas redesenha força política no Brasil

O resultado das eleições realizadas neste domingo (4) reforçou a polarização política no Brasil e mostrou a força de candidaturas conservadoras ligadas a pautas religiosas, segundo avaliação do cientista político Luiz Domingos. Para ele, temas como família, costumes e religião ganharam peso na escolha dos eleitores.

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Eleições expõem avanço conservador

Na leitura de Domingos, parte do eleitorado tem preferido candidatos que compartilham suas convicções religiosas e morais. Segundo o especialista, lideranças tradicionais perderam espaço para políticos que intensificaram o discurso sobre esses temas.

No Paraná, a chapa liderada por Sergio Moro (PL) conquistou o governo estadual e as duas vagas ao Senado, com Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Na disputa pela Câmara dos Deputados, Jeffrey Chiquini e Guilherme Kilter, ambos do Novo e ligados à chapa, ficaram entre os mais votados.

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Para o cientista político, esse resultado reflete uma mudança cultural.

“É um cenário de mudança cultural e de adesão a pautas que não estavam presentes na década de 2000. Nos anos 1990, se você quisesse ganhar eleição com a pauta da família, você não ganhava no Brasil; agora você ganha”, afirma.

Domingos também destaca a organização das campanhas e a produção de mensagens direcionadas a diferentes públicos religiosos.

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“Esses candidatos, os grandes vitoriosos nas urnas, têm estruturas de campanha especializadas e profissionais para saber entregar mensagens para o perfil do evangélico e do católico, separadamente e de forma segmentada. Eles estão em todos os nichos com apelo primordial e predominante ao tema da família e de Deus”, completa.

Religião ganha peso na política

O crescimento evangélico aparece nos dados do Censo 2022. Entre 2010 e 2022, a proporção registrada pelo levantamento passou de 21,6% para 26,9%.

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Os dados também mostram diferenças entre as regiões:

  • No Nordeste, os católicos representam 63,9%.
  • No Sul, a proporção de católicos é de 62,4%.
  • No Norte, os evangélicos representam 36,8%.

Segundo Domingos, a expansão das igrejas pentecostais pelo território brasileiro ajuda a explicar a influência política desse segmento.

“As igrejas pentecostais se organizaram de modo impressionante, tanto na difusão pelo território nacional, criando templos em todos os rincões, e isso de forma muito mais eficiente do que a própria Igreja Católica tentou fazer em algum momento”, avalia.

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O cientista político também associa essa presença ao acolhimento de pessoas em situações de vulnerabilidade.

“Tem esse aspecto de estar em todas as periferias, em muitos municípios. Estão muito fortes no Norte do país, num momento em que essa região está muito vulnerável pelo narcotráfico e pela exploração de minérios. As igrejas evangélicas se instalam lá para acolher pessoas que se sentem vulneráveis”, diz.

Fundamentalismo, coalizão e possíveis impactos no STF

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Nos Estados Unidos, a mobilização política de grupos fundamentalistas cristãos tem raízes no início do século 20. Segundo uma publicação da série American Experience, da emissora pública PBS, o movimento surgiu em reação a interpretações modernas da Bíblia e ganhou expressão política com campanhas contra o ensino da teoria da evolução.

No Brasil, Domingos avalia que o avanço conservador ocorre em meio a mudanças na relação entre os Poderes. Para ele, o presidencialismo de coalizão, baseado na formação de alianças entre o governo e os partidos do Congresso, perdeu força nos últimos anos diante do fortalecimento do Legislativo.

“Eu acho que o arranjo político que nos governou de 1988 pra cá está ficando nas prateleiras dos livros. Nós não vamos ter mais o tipo de articulação que existia entre o Executivo e o Legislativo, porque isso já mudou desde o governo Temer, mas também no governo Bolsonaro, com o orçamento via pix e o orçamento secreto”, afirma.

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Na visão do cientista político, futuras mudanças na composição do Supremo Tribunal Federal (STF) também podem ampliar a influência de posições conservadoras na Corte. Ele aponta a possibilidade de maior alinhamento com as políticas da Presidência da República.

“A Câmara que nós conhecemos com a nova Constituição, o Congresso que nós conhecíamos e o Supremo que nós conhecíamos vão deixar de existir. É um período em que países que têm esse movimento dão exemplo de diferentes maneiras e graus de que há retrocesso no equilíbrio institucional. Acho que é possível uma composição absolutamente conservadora no Supremo Tribunal Federal, na qual o Supremo passe a agir como casa de reforço das políticas do presidente da República e não como aconteceu durante o ciclo do Bolsonaro pai, no qual o Supremo era uma barreira de contenção do Poder Executivo”, conclui.

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