Eleições

Candidatos discutiram combate à corrupção durante debate; veja como foi

Caiado se diz ficha-limpa, Renan mira Banco Master e Cury quer corrupção como crime hediondo julgado em até seis meses

4 min

24/08/2026 16:00 • Atualizado há 7 dias

Durante o primeiro debate presidencial das Eleições 2026, realizado pela Band, neste domingo (23), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) debateram propostas para o combate à corrupção.

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O trio ainda citou as ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) – Romeu Zema (Novo) também desistiu –, e acabou se aproximando em uma linha comum de ofensiva contra o atual governo e o bolsonarismo.

Caiado cita caso "Dark Horse" e "dark lobby"

Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado se apresentou como candidato "ficha-limpa" e destacou seus 40 anos de vida pública sem, segundo ele, qualquer mancha ou denúncia que atingisse sua honra.

Ele afirmou nunca ter se envolvido em esquemas como o "petrolão", as "rachadinhas" ou operações ligadas ao Banco Master.

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Caiado também chamou os candidatos ausentes de "fujões" e disse que eles faltaram ao debate por medo de prestar contas à sociedade sobre as suspeitas que enfrentam.

Na avaliação do candidato do PSD, a ausência de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema impede que a população ouça explicações diretas sobre as denúncias.

Ao citar o senador Flávio Bolsonaro, Caiado afirmou que ele precisa explicar o chamado caso "Dark Horse", em referência a transações financeiras suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme biográfico de mesmo nome.

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Para ele, o sumiço do parlamentar do PL em compromissos como o debate equivale a uma "fuga da verdade".

Em relação ao presidente Lula, o ex-governador falou em "dark lobby" e mencionou investigações da Polícia Federal sobre mensagens interceptadas entre Fábio Luís, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro e uma lobista investigada por fraudes no INSS.

Caiado disse que esses episódios reforçam, na visão dele, a necessidade de transparência e de explicações públicas por parte do Planalto.

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Renan provoca adversários e ataca polarização

Renan Santos, candidato do partido Missão, usou seu tempo para associar frontalmente as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ele afirmou que a disputa presidencial corre o risco de ser um "jogo de cartas marcadas" patrocinado por interesses econômicos concentrados.

Em tom provocativo, Renan chegou à sede da Band carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro, gesto com o qual buscou acusá-los de covardia moral.

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Segundo ele, os dois trabalham em acordos de bastidores com integrantes do Judiciário e do sistema financeiro em Brasília para garantir o que chamou de "impunidade mútua".

Durante o confronto, o candidato atacou a polarização política nacional e disse que a disputa entre esquerda e direita serve, na prática, como cortina de fumaça para irregularidades nos dois campos.

"Esquerda e direita estão roubando você juntos", afirmou Renan, ao acusar os adversários de usar brigas familiares e apresentações em feiras de entretenimento para distrair a população enquanto, segundo ele, "as riquezas são repartidas em Brasília".

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Renan também retomou sua trajetória de dez anos atrás como um dos líderes das mobilizações populares que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e impulsionaram a Operação Lava Jato.

Ele classificou aquele período como um marco no combate ao desvio de recursos públicos e defendeu o resgate daquele "espírito reformista" para projetar o Brasil como potência.

Cury propõe "time de ouro" técnico e rigor judicial

Escritor e psiquiatra, Augusto Cury defendeu endurecer de forma drástica a legislação penal contra desvios no setor público, propondo que a corrupção passe a ser tratada como "crime violento e hediondo".

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Para ele, o desvio de verbas públicas é um crime contra famílias e crianças brasileiras, porque asfixia serviços sociais essenciais e compromete o futuro do país.

Como resposta ao ciclo recorrente de escândalos a cada troca de governo, Cury sugeriu uma mudança na lei para estabelecer prazo máximo de seis meses para a conclusão e o julgamento de processos de desvio de recursos públicos, com prisão imediata dos responsáveis após a sentença.

Na avaliação dele, apenas punições rápidas e exemplares seriam capazes de romper a sensação de impunidade.

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Cury afirmou ainda que a política tradicional brasileira costuma atrair pessoas "mal resolvidas intelectualmente, financeiramente e emocionalmente".

Em contraponto, disse que pretende governar com um "time de ouro", formado por uma equipe técnica de excelência e, nas palavras dele, totalmente distante da corrupção.

O candidato do Avante também criticou o tom adotado por Renan Santos no estúdio. Embora tenha reconhecido que muitas das denúncias levantadas pelo adversário podem ter fundamento, Cury avaliou que a agressividade extrema "assombra a democracia", "asfixia a capacidade de reflexão" e impede, segundo ele, um debate saudável de opiniões divergentes.

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Quando será o próximo debate eleitoral?

Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:

  • 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
  • 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
  • 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
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