Eleições

Candidatos falaram sobre segurança pública durante debate; veja como foi

Caiado, Renan Santos e Augusto Cury apresentam propostas com foco em endurecimento penal e ação militar

4 min

24/08/2026 12:00 • Atualizado há 7 dias

A Band realizou o primeiro debate presidencial das Eleições 2026, neste domingo (23), que reuniu Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Continua depois da publicidade

Em um cenário de púlpitos vazios por causa das ausências de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), a segurança pública se consolidou como um dos temas centrais, marcando o tom de confronto entre os participantes.

Caiado quer autonomia penal para governos estaduais

O candidato Ronaldo Caiado afirmou que o Brasil vive um verdadeiro clima de guerra, com grande parte do território nacional, incluindo a Amazônia brasileira, sob influência de facções criminosas.

Ele acusou o atual governo de omissão e conivência e defendeu uma reforma constitucional para dar autoridade e autonomia aos governadores, permitindo que eles legislem sobre direito penal em seus estados, com medidas específicas para cada realidade.

Continua depois da publicidade

No plano federal, Caiado prometeu classificar facções criminosas como terroristas domésticos, confiscar bens de integrantes desses grupos, endurecer o regime dos presídios federais sem visitas íntimas e empregar as Forças Armadas na patrulha de fronteiras em cooperação com países vizinhos, por meio de iniciativas.

Diante dos dados de feminicídio, Caiado sugeriu ainda um projeto de lei para confiscar os bens de agressores de mulheres e destinar o patrimônio às famílias e filhos das vítimas.

Ele defendeu o aumento da pena máxima para crimes de violência de gênero de 20 a 40 anos de prisão, com cumprimento de pelo menos 90% da sentença em regime fechado.

Continua depois da publicidade

O ex-governador citou Goiás como referência em repressão à violência doméstica, destacando o uso de algemas, tornozeleiras eletrônicas, botões de pânico e recursos de inteligência artificial.

Renan Santos propõe superpresídios e intervenções

Renan Santos estruturou suas propostas de segurança em três eixos. No primeiro, defendeu a decretação de Estado de Defesa combinado a operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas dominadas pelo narcotráfico, com atuação conjunta das Forças Armadas, da Polícia Federal e das polícias estaduais em regiões consideradas críticas.

Como segundo eixo, o candidato propôs a construção de superpresídios de segurança máxima, com capacidade para abrir entre 300 mil e 500 mil novas vagas no sistema carcerário.

Continua depois da publicidade

Ele sugeriu o fim da divisão de presos por facção em presídios comuns, argumentando que a segregação atual fortalece esses grupos, que passariam a cumprir pena em unidades de isolamento compartilhado.

No terceiro eixo, voltado à integração entre as forças de segurança, Renan Santos defendeu a possibilidade de intervenção direta da União em estados que, na avaliação do governo federal, falharem no enfrentamento ao crime organizado.

Ele citou explicitamente Rio de Janeiro, Ceará e Bahia como exemplos de gestões que, segundo ele, precisariam seguir diretrizes rígidas impostas pelo Planalto ou sofrer enquadramento.

Continua depois da publicidade

Em um discurso de forte confronto, Renan afirmou que pretende deflagrar um “banho de sangue” contra facções criminosas já no primeiro dia de mandato. Ele declarou que quer tropas subindo morros e favelas para libertar comunidades e usou a expressão de que guardas municipais deveriam “atirar em vagabundo como se não houvesse amanhã”.

Cury sugere programa Fato e a Polícia Foco

O escritor e psiquiatra Augusto Cury afirmou que, na visão dele, pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado. Como resposta, apresentou o programa FATO (Força de Alerta Total), que, segundo ele, reuniria e integraria as inteligências e operações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das polícias civis e militares, em um contingente que estimou entre 400 mil e 410 mil agentes.

Cury citou sua atuação em treinamentos comportamentais e de gestão da emoção para policiais federais, magistrados e promotores, além de mencionar seu título de membro da International Policy Association, como elementos que, segundo ele, reforçam sua autoridade técnica para propor uma reestruturação do setor.

Continua depois da publicidade

Outra iniciativa apresentada foi a criação da chamada Polícia Foco, uma força de combate preventivo formada pela conversão de 5% da força de trabalho dos municípios em um novo contingente policial.

De acordo com o candidato, a medida acrescentaria aproximadamente 400 mil agentes, treinados por corporações e tropas de elite, com o objetivo de antecipar ações criminosas e reforçar a presença do Estado em áreas vulneráveis.

Ao tratar da violência contra a mulher, Cury destacou dados que apontam o assassinato de uma brasileira a cada cinco ou seis horas, com 1.571 casos de feminicídio registrados no último ano. Ele relacionou esses números à necessidade de um sistema de segurança mais integrado e orientado à proteção de vítimas.

Continua depois da publicidade

Quando será o próximo debate eleitoral?

Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:

  • 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
  • 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
  • 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
Candidatos falaram sobre segurança pública durante debate; veja como foi