'Gaspar dificilmente agregará votos a Flávio Bolsonaro', avalia colunista
Especialistas debatem escolha do candidato do PL à Preesidência para compor sua chapa
A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) é vista por especialistas como uma manobra de articulação política regional que deve trazer pouco ganho eleitoral direto, além de ter potencial de provocar riscos de imagem. O anúncio do nome surpreendeu até aliados, já que Flávio já tinha falando abertamente sobre sua preferência por ter um vice mulher.
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Para o colunista Emanuel Pessoa, a indicação de Gaspar não deve se traduzir em um aumento significativo de votos. Ele argumenta que, fora de Alagoas, o deputado possui "densidade eleitoral zero". O especialista destaca que mesmo no Nordeste a polarização entre Lula e Bolsonaro é tão consolidada que dificilmente a presença de Gaspar na chapa alteraria a intenção de voto do eleitorado local.
Eu sou cearense e te falo claramente: quem é Lula vai ser Lula independentemente de quem vote para deputado ou para senador e quem é Bolsonaro vai ser independentemente da escolha que tiver para deputado ou senador. Não vai mudar nada. --Emanuel Pessoa
Pessoa aponta que Flávio Bolsonaro perdeu a oportunidade de atrair um nome de peso nacional, como a ex-ministra Tereza Cristina (PP). Segundo ele, ela seria uma candidata "competentíssima" que poderia consolidar o apoio do agronegócio de forma mais orgânica e sem riscos de perda de mandato.
Por outro lado, o analista Rubens Figueiredo pondera que a escolha serviu para resolver um "problema paroquial" em Alagoas, envolvendo a disputa entre Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB). Para Figueiredo, a indicação é um aceno claro para atrair o centrão e garantir recursos e tempo de TV, embora reconheça que, historicamente, o eleitor raramente escolhe uma chapa por causa do vice.
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É muito difícil um eleitor brasileiro falar assim: 'Eu vou votar na cabeça de chapa por causa do vice.’ Isso eu nunca vi.. O vice só não tem que atrapalhar. --Rubens Figueiredo
Desgaste de imagem
Um ponto central da discussão foi o timing do anúncio de Gaspar como vice da chapa de Flávio. Emanuel Pessoa mencionou o que chamou de "problema de mapa astral" ou "azar" de Flávio Bolsonaro, já que a oficialização de Gaspar ocorreu em meio a notícias dantescas de crimes sexuais no país, coincidindo com o fato de o próprio vice ser alvo de uma investigação por estupro de vulnerável.
Embora Pessoa ressalte que Gaspar se colocou à disposição das autoridades e realizou exames de DNA, ele alerta que a oposição e o "tribunal da internet" utilizarão o desgaste político da investigação contra a chapa. “O vice de Flávio pesa contra ele. Com ou sem fundamento, sendo inocente ou culpado, o grande problema é o timing e como a esquerda vai usar as manchetes”, diz Pessoa.
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