Eleição suplementar em RR custará R$ 8 mi para mandato de apenas seis meses
Escolha de novo governador acontece após cassação definitiva do mandato anterior pelo TSE
Cerca de 381 mil eleitores de Roraima retornam às urnas neste domingo (21) para uma eleição fora de época que definirá o novo governador do estado. O pleito, no entanto, é alvo de fortes críticas da população local devido ao alto custo e ao curto período de mandato: o vencedor ocupará o cargo somente até o dia 31 de dezembro, já que em outubro todos os eleitores deverão votar novamente nas eleições gerais.
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A necessidade deste pleito suplementar surgiu após a cassação definitiva, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em abril, da chapa composta pelo governador Edilson Damião (União) e pelo ex-governador Antônio Denarium (Republicanos). Ambos foram condenados por abuso de poder econômico referente às eleições de 2022.
O processo enfrentou uma longa tramitação na justiça eleitoral. Embora o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) tenha cassado o mandato ainda em 2023, o caso sofreu interrupções no TSE por pedidos de vista dos ministros André Mendonça e Nunes Marques, sendo concluído apenas dois anos após o início do mandato original.
Custos e revolta popular
A estimativa do TRE-RR é que a organização desta eleição custe R$ 8 milhões aos cofres públicos. Nas ruas da capital, Boa Vista, o clima é de indignação. Eleitores questionam o gasto de recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde, educação e pavimentação asfáltica, classificando a situação como um "absurdo" e um desperdício de dinheiro público.
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Para tentar minimizar os gastos, o tribunal informou que está utilizando transporte fluvial em vez de aéreo para levar urnas e pessoal às comunidades do baixo Rio Branco, aproveitando o período de cheia do rio.
Críticas à demora judicial
Especialistas apontam que o desgaste logístico e financeiro poderia ter sido evitado. Se a decisão do TSE tivesse ocorrido apenas um mês depois, a legislação determinaria que a escolha do novo governador fosse feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa, poupando a estrutura do Tribunal e os recursos públicos.
A situação é descrita como crítica para os servidores do TRE, que tiveram pouco mais de um mês para organizar uma eleição do zero, após dois anos de planejamento para o pleito ordinário que ocorrerá em outubro. O curto intervalo de três meses entre as duas idas obrigatórias às urnas para escolher um governador é visto como um desrespeito aos interesses da sociedade frente à morosidade da justiça.
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