'Parece que jogou a toalha': especialistas sobre ausência de Zema em debate
Analistas do Canal Livre veem erro estratégico do ex-governador de Minas ao faltar em debate
A desistência de Romeu Zema (Novo) de participar do primeiro debate presidencial da temporada, promovido pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, neste domingo (23), foi recebida com estranheza e fortes críticas pelos jornalistas do programa Canal Livre.
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Mesmo com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto, o ex-governador de Minas Gerais comunicou no início da tarde que não compareceria ao debate. Para os jornalistas Fernando Mitre e Deysi Cioccari, dá a impressão de que o candidato “jogou a toalha”, gíria usada para dizer que ele teria desistido da disputa.
Os especialistas avaliaram a estratégia como errada tanto pelo reduzido espaço de propaganda que ele tem quando por sua colocação nas mais recentes pesquisas eleitorais.
Eu não entendo a estratégia do Zema. Porque o Lula e o Flávio, eu entendo, erraram, cometeram um erro e a gente pode conversar sobre isso. Mas tem uma estratégia. O Zema eu não entendi. O Zema com dois pontos na pesquisa” – Fernando Mitre.
O jornalista ressaltou ainda que a tática de faltar a confrontos diretos para evitar desgastes perdeu a eficácia perante o eleitorado.
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Esse hábito que vem de algum tempo do candidato não comparecer ao debate para fugir dos ataques, isso não está sendo aceito mais pelo público. O público não aceita isso. Isso não funciona. Houve um momento que até era possível que se aceitasse. Hoje, não – completou Mitre.
A cientista política e jornalista Deysi Cioccari também reforçou a análise de que a ausência representa um recuo significativo na pré-campanha do político mineiro.
Dá a impressão de que ele jogou a toalha. Porque não faz sentido. Pelas pesquisas, como ele não tem uma rejeição muito alta, ele provavelmente seria um dos menos atacados. Então não faz sentido não aparecer no debate. Eu acredito que jogou a toalha, não tem outra explicação. Era o momento dele se fazer ser conhecido nacionalmente, de ter um pouco de destaque, de mostrar as propostas – Deysi Cioccari.
Como foi o primeiro debate presidencial
O primeiro debate presidencial das Eleições 2026 foi marcado pela ausência e pelo impacto dos púlpitos vazios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
A noite quase tomou um rumo inesperado antes mesmo do início da transmissão, quando o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) ameaçou não participar do encontro em protesto contra a falta dos líderes das pesquisas. Ele só reverteu sua decisão de abandonar o evento após conversar nos bastidores com o jornalista Fernando Mitre.
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Caiado foca em "fujões", segurança e "autoridade moral"
Ronaldo Caiado (PSD) chamou os candidatos ausentes de "fujões" que decidiram não comparecer por não terem como explicar os escândalos em que estão envolvidos. Ele criticou diretamente as investigações dos adversários, destacando que Flávio Bolsonaro tenta fugir das explicações do caso "Dark Horse", enquanto o presidente Lula está associado ao "dark lobby".
No campo das propostas, Caiado afirmou que o Brasil vive um "clima de guerra" comandado por facções criminosas e defendeu dar autoridade para os governadores legislarem sobre segurança pública. Para a recuperação da economia, o candidato propôs um choque de credibilidade baseado na "autoridade moral" para conter as despesas públicas e reduzir a taxa de juros.
A provocação e a linha dura de Renan Santos
Renan Santos (Missão) também buscou confrontar a polarização e iniciou sua participação de forma provocativa, carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio na chegada à emissora para ironizar a ausência de ambos.
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Em suas propostas voltadas à segurança pública, o candidato defendeu a decretação de Estado de Defesa e a abertura de centenas de milhares de vagas em superpresídios de segurança máxima.
No setor trabalhista, Santos posicionou-se de forma contrária ao fim da escala 6x1, classificando a promessa governista como inviável diante do cenário de crise econômica no país.
Já na educação, criticou o analfabetismo funcional e propôs a criação da Lei de Responsabilidade Gerencial para punir e tornar inelegíveis os prefeitos que não atingirem metas básicas de ensino.
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As propostas de Cury contra a agressividade
Como contraponto, Augusto Cury censurou o tom adotado por Renan Santos, afirmando que a agressividade do oponente o "assombra" e asfixia a capacidade de divergência democrática.
Cury defendeu a pacificação do país e a constituição de um "time de ouro" técnico e livre de corrupção, assegurando que, sob sua gestão, o desvio de verba pública será punido como um crime violento.
O candidato também contrapôs as discussões trabalhistas defendendo a jornada de trabalho 5x2 com foco na saúde mental do trabalhador. Por fim, Cury criticou o alto custo de juros que afeta os agricultores e eleva os índices de depressão no campo, sugeriu reformular a educação básica para focar no desenvolvimento socioemocional e criticou a exposição precoce de crianças às redes sociais.
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Quando será o próximo debate eleitoral?
Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:
- 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
- 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
- 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
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