Eleições

Janones desabafa após TSE derrubar canal pró-Lula: "A censura já começou"

O deputado federal André Janones (Avante-MG) foi às suas redes sociais neste domingo (11) pedir mobilização dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da

5 min

11/10/2026 14:18 • Atualizado há 6 dias

O deputado federal André Janones (Avante-MG) foi às suas redes sociais neste domingo (11) pedir mobilização dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal de transmissão 'Exército do Lula' no WhatsApp, que tinha mais de 3,2 milhões de seguidores.

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Janones pediu impulsionamento dos conteudos, disse que o TSE deu "um tiro no pé" e disse que a "a censura já começou". Na gravação, o deputado classificou como urgente a retirada do canal do ar.

Pessoal, urgente, eles conseguiram, o canal Exército Lula sairá do ar em uma hora. Senta o dedo, explode esse vídeo pra gente denunciar. Denunciar que não é que se Flávio Bolsonaro for eleito a censura vai ser instalada. Já começou, a censura já começou. Só que eles vão sentir agora a força de 3 milhões e 300 mil pessoas unidas.

Ele também afirma que não pretende se calar, relata que foi impedido de criar novos canais no aplicativo e anuncia que pretende transferir a mobilização para uma comunidade no Instagram, que, segundo sua avaliação, não poderá ser derrubada.

Decisão suspende canal de mobilização política

A decisão do TSE foi proferida em processo movido pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que apontou o canal como uma central de mobilização política nas redes sociais, com cerca de 3,2 milhões de seguidores e crescimento considerado exponencial entre 5 e 10 de outubro de 2026.

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"Nós não vamos nos calar, nós vamos continuar. Eles me proibiram, inclusive, de criar outro canal, sem nenhuma argumentação. nenhuma, nenhuma. Quero dizer o seguinte, vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram. Eu quero pedir pra você que tá me acompanhando entra todo mundo no meu Instagram e eu vou fazer por lá, eu vou criar um canal dentro do Instagram, uma comunidade no Instagram, porque aí eles não terão como derrubar. Quero dizer o seguinte, vocês deram um tiro no pé", disse. "Nós vamos ficar mais fortes, 3 milhões, vai ficar 6 milhões. Comenta aqui, censura não, chama todo mundo lá para o meu Instagram, que eu estou criando agora lá a comunidade Exército Lula, e essa não tem como eles derrubar. Bora para cima que a gente está mais forte do que nunca", completou o deputado.

Segundo os documentos anexados ao processo, o canal, criado em 5 de outubro com cerca de 55 mil inscritos, ultrapassou 2 milhões de seguidores em 7 de outubro e alcançou 3,2 milhões três dias depois, passando a operar com selo de verificação e convocando apoiadores para impulsionar hashtags como #EXERCITODOLULAEMCAMPO nas redes.

A campanha de Flávio Bolsonaro afirma que protocolou centenas de denúncias ao WhatsApp contra o 'Exército do Lula' pelos canais oficiais da plataforma, sem que qualquer providência concreta fosse adotada dentro do prazo de 24 horas previsto no plano de conformidade, o que levou o grupo a acionar diretamente a Presidência do TSE.

Estrutura de comando e desinformação, segundo o TSE

Nos fundamentos da decisão, o ministro Nunes Marques descreve a atuação do canal como uma estrutura de 'comando único' destinada à réplica massiva de narrativas políticas e conteúdos desinformativos, com orientações dadas diretamente por Janones.

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  • Ordens de engajamento sem reflexão: transmissões e áudios instruíam seguidores a 'só obedecer', agir 'igual um robô' e tentar 'controlar a narrativa no país inteiro'.
  • Manipulação de algoritmos: mensagens orientavam o público a curtir, comentar e compartilhar conteúdos antes mesmo de assistir, para forçar a entrega a mais usuários em plataformas como X e Instagram.
  • Burlar travas do WhatsApp: para contornar limites de encaminhamento, o canal sugeria copiar links e textos e colá-los diretamente em grupos, usando modelos como 'Oi amiga, bom dia!' e 'Bom dia grupo!!!'.
  • Apagamento sistemático: após o cumprimento das 'missões' diárias, conteúdos eram apagados, o que, segundo o tribunal, dificultava a fiscalização e a rastreabilidade.
  • Divulgação de fatos sabidamente falsos: o TSE registrou a repetição de alegações já declaradas inverídicas, como supostos planos de Flávio Bolsonaro para alterar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida ou cortar benefícios sociais.

O ministro enfatiza que a liberdade de expressão e a mobilização de apoiadores são lícitas, mas não funcionam como salvo-conduto para a prática de ilícitos nem para quebrar a paridade de armas entre candidatos às vésperas da eleição, especialmente por meio de estruturas de comunicação em massa.

A decisão ressalta ainda que os Canais do WhatsApp são transmissões públicas unidirecionais, distintas de conversas interpessoais protegidas por sigilo, e afirma que a medida não impede Janones de se manifestar criticamente ou fazer campanha em suas redes pessoais e entrevistas.

Medidas impostas à Meta e encaminhamentos

No dispositivo final, Nunes Marques determina à Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. (Meta/WhatsApp) que suspenda o funcionamento do 'Exército do Lula' em até três horas, impedindo novos envios e adesões até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026, sob pena de multa diária.

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O TSE também instaurou regime de supervisão regulatória direta sobre a Meta quanto ao uso da funcionalidade de Canais, exigindo que a empresa, em até dez dias úteis, explique por que não adotou medidas diante das denúncias recebidas e, em 48 horas, apresente relatórios completos com todas as mensagens postadas e apagadas, além de informações sobre canais reserva sob o mesmo controle.

A plataforma deverá preservar por pelo menos um ano todos os registros, metadados, histórico de seguidores e logs de acesso relacionados ao canal, para subsidiar outras ações em tramitação no tribunal, como a AIJE nº 0602694-73.

Já o pedido para suspender a conta de Janones para criação de novos canais foi, por ora, postergado pelo ministro, que advertiu sobre a possibilidade de reavaliar a medida caso sejam identificadas tentativas de burla, como a migração coordenada de seguidores para estruturas alternativas.

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