Eleições

Michelle Bolsonaro acusa rival de tentar asfixiar sua campanha no DF

Candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) apresentou nesta segunda-feira (31) uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral

4 min

31/08/2026 19:24 • Atualizado há 13 horas

Michelle Bolsonaro acusa rival de tentar asfixiar sua campanha no DF

Candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) apresentou nesta segunda-feira (31) uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra o seu adversário direto na disputa, Tiago Társis Adaldo (Agir). A representação pede a investigação de Társis pela suposta prática do crime de denunciação caluniosa com finalidade eleitoral.

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A acusação acontece após Társis protocolar uma série de representações contra Michelle e a deputada Bia Kicis. Segundo o advogado Flávio Eduardo Wanderley Britto, que representa a ex-primeira-dama, as ações representaram uma tentativa de manipular o sistema da Justiça Eleitoral e usar o aparato judicial como ferramenta de desgaste de campanha.

De acordo com o documento protocolado, Tiago Társis realizou seis protocolos criminais no dia 27 de agosto de 2026, em um intervalo de apenas 19 horas e 20 minutos. A defesa aponta que, na realidade, tratava-se de três pares de petições idênticas (com os mesmos fatos, pedidos e anexos) protocoladas em dobro.

O objetivo do "movimento pendular" de protocolos, segundo a notícia-crime, era alternar sistematicamente o campo "processo de referência" para forçar o sorteio de relatores diferentes e evitar o juiz prevento.

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A suposta manobra de Társis teria se intensificado após pronunciamentos judiciais desfavoráveis. Logo após o desembargador Asiel Henrique de Sousa determinar a remessa de processos ao Ministério Público e postergar a análise de pedidos de liminar, Társis realizou novas autuações --uma delas 92 minutos depois e outra 103 minutos depois.

Nesses novos protocolos, foram alterados campos cruciais no sistema, como a classe processual (para Ação Penal Eleitoral) e a sinalização de existência de pedido de urgência (marcada como "NÃO" no sistema, embora constasse expressamente do cabeçalho e do corpo da petição).

A Justiça Eleitoral identificou as duplicações e redistribuiu todos os processos ao relator prevento, rejeitando as medidas de urgência pleiteadas contra Michelle Bolsonaro.

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Acusações desmentidas

O ponto central da notícia-crime apresentada pela defesa de Michelle Bolsonaro é que as graves imputações de falsidade ideológica feitas por Társis são frontalmente desmentidas pelos documentos que ele próprio anexou às suas petições. A defesa elencou dez inconsistências e adulterações flagrantes:

Supressão de termos em Atas do PL: Ao transcrever trechos da ata executiva do PL, foram omitidas as palavras "para governador e vice-governador", fazendo parecer que a coligação se referia à chapa de Michelle ao Senado, único vínculo que justificaria as acusações contra ela;

Adulteração da Ata do PRTB: Processo semelhante ocorreu com o documento do PRTB/DF, do qual foram suprimidos os cargos de "governador, vice-governador", transformando uma abstenção ampla em uma suposta deliberação restrita ao Senado;

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Presença "fantasma" em listas de presença: Társis alegou que Michelle Bolsonaro e a candidata Mariana Naime constavam em listas de presença de reuniões nos dias 12 e 14 de agosto de 2026. Contudo, os documentos anexados revelam que Michelle não assinou nem esteve presente; o seu nome consta apenas como candidata objeto de deliberação;

Documentos inexistentes e hashes impossíveis: Em suas petições, Társis citou páginas de atas de convenção que não foram juntadas aos autos. Além disso, indicou um resumo criptográfico (hash SHA-256) matematicamente impossível, por conter a letra "o" (caractere não hexadecimal) e possuir apenas 62 caracteres, mas do qual afirmou transcrever trechos literais;

Confusão de legendas partidárias: A acusação de Társis baseou-se em atas do partido Democracia Cristã (DC - 27) para tentar provar irregularidades relativas ao partido Democrata, que são legendas completamente distintas;

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Contradições de horários e precedentes: Társis solicitou a quebra de sigilo telefônico de oito pessoas para investigar uma reunião que teria ocorrido em 14 de agosto de 2026 entre 14h e 14h30, sendo que a sua própria petição e os metadados provam que a reunião ocorreu entre 17h e 18h (o horário indicado pertencia a outra investigação, do dia 12 de agosto, evidenciando uma cópia desatenta de petições). Além disso, os precedentes judiciais citados por Társis para alegar irregularidades acabaram por comprovar a estrita legalidade dos atos do PL e do Democrata.

Pedidos de asfixia da campanha

A defesa de Michelle Bolsonaro frisa que ela não ocupa cargo na Comissão Executiva do PL no Distrito Federal, não presidiu ou secretariou reuniões, não redigiu atas e não assinou qualquer dos documentos questionados.

Responsabilizar alguém pelo proveito que extrairia de conduta alheia, sem descrever qualquer participação sua, é responsabilidade penal objetiva --vedada pelo ordenamento.

Apesar da ausência de conduta imputada, as representações de Tiago Társis demandavam, em caráter de urgência, medidas extremas que poderiam inviabilizar a campanha de Michelle Bolsonaro:

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  • Impedimento de participar de debates e conceder entrevistas;
  • Proibição de publicar conteúdos eleitorais e praticar atos de campanha;
  • Suspensão do acesso a recursos do fundo eleitoral;
  • Suspensão do tempo de propaganda em rádio e televisão;
  • Quebra de sigilos telefónico, telemático e de dados de geolocalização de Michelle e de outras sete pessoas, incluindo advogados;
  • Anulação de sua candidatura ao Senado.

Para a defesa, o caráter desproporcional dos pedidos e o fato de terem sido formulados por um concorrente direto a pouco mais de um mês do pleito confirmam o dolo eleitoral da iniciativa.

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