Mitre sobre ausência de candidatos no debate: ‘Grande prejudicado é o povo’
Flávio, Lula e Zema foram convidados ao 1º debate presidencial da temporada, mas não compareceram
O diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre, criticou a ausência dos candidatos à Presidência no debate realizado pelo Grupo Bandeirantes neste domingo (23). Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Romeu Zema (Novo), que foram convidados para o evento, não compareceram.
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Segundo Fernando Mitre, o grande prejudicado com a ausência dos candidatos, além deles próprios, é a população.
O grande prejudicado, além dos candidatos que não ganham com essa ausência, é o público, o eleitor, o brasileiro diante de problemas cada vez mais graves. Nunca se necessitou tanto de um debate aprofundado sobre os problemas do país como agora. --Fernando Mitre
Para o cientista político Fernando Schüler, existe uma mutação na democracia, em função da democracia digital. “É uma democracia onde todo mundo fala, mas pouca gente escuta. Todo mundo tem milhões de pessoas que tem rede social, que são influenciadores, tribos, mas ninguém quer ouvir um argumento.
Com isso, a lógica do debate perde espaço na democracia. Nós estamos vivendo um experimento, um sinal sobre a nossa democracia. Um sinal ruim. É um sinal preocupante. --Fernando Schüler
Para ele, significa que é melhor falar sozinho, fazer uma transmissão ao vivo para a tribo, onde “não tenho contraditório, do que eu me expor a um ambiente de incerteza. O ambiente do debate é um ambiente de certeza. É o ambiente do contraditório”.
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Quem decide a eleição?
Segundo Schüler, o eleitor que decide a eleição não é aquele que já definiu votar em Lula ou Flávio Bolsonaro, que não vai ou dificilmente mudará de voto. No entanto, tem entre 5% a 8% do eleitor “indiferente”, que demora mais para tomar uma decisão.
“Esse eleitor pode ser impactado. Eu acho que talvez os marqueteiros não estão avaliando o impacto desse eleitor. A última eleição foi decidida por menos de 2% dos votos”, finalizou.
Como foi o primeiro debate presidencial
O primeiro debate presidencial das Eleições 2026 foi marcado pela ausência e pelo impacto dos púlpitos vazios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
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A noite quase tomou um rumo inesperado antes mesmo do início da transmissão, quando o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) ameaçou não participar do encontro em protesto contra a falta dos líderes das pesquisas. Ele só reverteu sua decisão de abandonar o evento após conversar nos bastidores com o jornalista Fernando Mitre.
Caiado foca em "fujões", segurança e "autoridade moral"
Ronaldo Caiado (PSD) chamou os candidatos ausentes de "fujões" que decidiram não comparecer por não terem como explicar os escândalos em que estão envolvidos. Ele criticou diretamente as investigações dos adversários, destacando que Flávio Bolsonaro tenta fugir das explicações do caso "Dark Horse", enquanto o presidente Lula está associado ao "dark lobby".
No campo das propostas, Caiado afirmou que o Brasil vive um "clima de guerra" comandado por facções criminosas e defendeu dar autoridade para os governadores legislarem sobre segurança pública. Para a recuperação da economia, o candidato propôs um choque de credibilidade baseado na "autoridade moral" para conter as despesas públicas e reduzir a taxa de juros.
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A provocação e a linha dura de Renan Santos
Renan Santos (Missão) também buscou confrontar a polarização e iniciou sua participação de forma provocativa, carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio na chegada à emissora para ironizar a ausência de ambos.
Em suas propostas voltadas à segurança pública, o candidato defendeu a decretação de Estado de Defesa e a abertura de centenas de milhares de vagas em superpresídios de segurança máxima.
No setor trabalhista, Santos posicionou-se de forma contrária ao fim da escala 6x1, classificando a promessa governista como inviável diante do cenário de crise econômica no país.
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Já na educação, criticou o analfabetismo funcional e propôs a criação da Lei de Responsabilidade Gerencial para punir e tornar inelegíveis os prefeitos que não atingirem metas básicas de ensino.
As propostas de Cury contra a agressividade
Como contraponto, Augusto Cury censurou o tom adotado por Renan Santos, afirmando que a agressividade do oponente o "assombra" e asfixia a capacidade de divergência democrática.
Cury defendeu a pacificação do país e a constituição de um "time de ouro" técnico e livre de corrupção, assegurando que, sob sua gestão, o desvio de verba pública será punido como um crime violento.
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O candidato também contrapôs as discussões trabalhistas defendendo a jornada de trabalho 5x2 com foco na saúde mental do trabalhador. Por fim, Cury criticou o alto custo de juros que afeta os agricultores e eleva os índices de depressão no campo, sugeriu reformular a educação básica para focar no desenvolvimento socioemocional e criticou a exposição precoce de crianças às redes sociais.
Quando será o próximo debate eleitoral?
Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:
- 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
- 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
- 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
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