Eleições

Terceira via: Caiado e Zema falham em atrair eleitor cansado da polarização

A estagnação e o recuo de nomes tradicionais do campo conservador e moderado na disputa presidencial acenderam o debate sobre o verdadeiro perfil do eleitor

3 min

01/09/2026 07:00 • Atualizado há 1 hora

A estagnação e o recuo de nomes tradicionais do campo conservador e moderado na disputa presidencial acenderam o debate sobre o verdadeiro perfil do eleitor que busca escapar da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

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No programa Band Eleições desta segunda-feira (31), os analistas Fernando Mitre e Fernando Schüler avaliaram os limites de candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), apontando que ambas falham ao tentar se posicionar como "terceira via" sem alterar a postura de combate típica dos polos.

Um dos pontos centrais da discussão foi a incapacidade de Ronaldo Caiado de decolar nas pesquisas de intenção de voto. O jornalista Fernando Mitre destacou que a campanha do ex-governador de Goiás dava como certa uma evolução rápida para os dois dígitos, o que acabou não acontecendo.

Ficou muito difícil tanto para Caiado quanto para Romeu Zema. O Caiado até agora não conseguiu dar aquele primeiro passo para atingir 8, 9, 10 pontos, que era a expectativa do começo da campanha dele. Já o Zema desapareceu, né? Cadê o Zema? --Fernando Mitre

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31) mostrou Cury dando um salto de 2% para 11% nas intenções de voto no cenário estimulado para o primeiro turno presidencial. Lula e Flávio seguem na liderança, com 39% e 33%, respectivamente. Já Caiado ficou em quarto lugar, com 5%, seguindo por Renan Santos (Missão), com 3%, e Zema, com 1%.

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Para os analistas, Zema desperdiçou um momento crucial ao não comparecer ao debate da Band, o que limitou a divulgação de suas ideias e do próprio partido. Mitre relembrou ainda que, embora Zema tenha tido um "primeiro confronto com o STF" que gerou forte repercussão na televisão, o episódio não se converteu em suporte popular efetivo: "Foi um sucesso na televisão, mas não significou nada nas pesquisas".

Alternativas dentro e fora da polarização

A tese de fundo apresentada no debate é que o eleitor verdadeiramente cansado do clima hostil da política nacional não vê em Zema, Caiado ou mesmo em Renan Santos (Missão) alternativas genuínas de pacificação. Para Schüler e Mitre, todos eles, de uma forma ou de outra, operam na mesma frequência de enfrentamento que caracteriza os dois principais polos da disputa.

O eleitor que é alguém antissistema, que está insatisfeito com a polarização, vai escolher o Zema? Vai escolher o Caiado? Que são candidatos posicionados... o próprio Renan tem o direito de polarização também. São alternativas dentro da polarização. --Fernando Schüler

A análise aponta que a atitude e a estética em política costumam se sobrepor ao conteúdo programático em momentos de saturação social. É nesse vácuo que a candidatura de Augusto Cury (Avante) encontrou solo fértil. Enquanto Caiado e Zema disputam o eleitorado conservador utilizando discursos tradicionais, Cury se posiciona a partir de uma chave inteiramente distinta.

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"A única alternativa fora da polarização pelo estilo, pela origem, pelo discurso, pela estética, pela maneira como está se colocando é o Augusto Cury", explicou Schüler, definindo a postura de Cury como uma atitude "absolutamente harmoniosa com a posição de quem não está suportando tanta agressividade".

O palanque contra o divã

Para exemplificar como essa mudança radical de atitude desconecta os políticos tradicionais do sentimento das ruas, Schüler mencionou uma das participações públicas recentes de Cury. Em vez de se ater às tecnicidades de praxe das sabatinas políticas, o escritor preferiu discursar sobre filosofia e pacifismo.

"Numa das entrevistas do Cury essa semana, em vez de falar da Previdência, da alíquota, do indexador, ele fez uma homenagem a Tolstói, fez uma homenagem a Gandhi", pontuou Schüler. Embora a postura possa parecer estranha ou vazia para os analistas de imprensa --que se perguntam o que isso tem a ver com a cadeira presidencial--, ela ressoa de forma profunda com o cidadão comum.

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