Política

Estudo mostra que 75% preferem folga a salário 20% maior

Votação do fim da escala 6X1 deve acontecer nesta semana

3 min

13/10/2026 14:15 • Atualizado há 4 dias

Estudo mostra que 75% preferem folga a salário 20% maior

Um estudo divulgado pela Rede Cidadã revela que a discussão sobre o modelo de trabalho no Brasil ganha novos contornos, priorizando a qualidade de vida e o tempo livre. De acordo com o levantamento "Escala 6x1: o que você pensa sobre essa mudança", realizado com a participação de 5,7 mil pessoas com 16 anos ou mais a partir da base de dados da plataforma Taqe, 75% da amostra prefere ter mais dias de folga a um salário 20% maior em troca de manter a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso.

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Os dados mostram um índice expressivo de rejeição ao modelo atual. No total de respondentes, 90,3% são favoráveis ao fim da escala 6x1, enquanto 5,1% se opõem e 4,6% ainda não têm opinião formada. Entre os profissionais que atualmente atuam nessa modalidade, o apoio ao fim do formato chega a 91,3%, patamar bastante próximo ao registrado entre quem já trabalha no regime 5x2 (93,1%).

O apoio à mudança transita por todas as faixas etárias, indo de 86,7% entre jovens de 16 e 17 anos até 94,2% na faixa de 21 a 25 anos. A preferência por manter a escala 6x1 em troca de um salário mais alto aparece de forma mais expressiva justamente entre os mais jovens, de 16 a 17 anos (28,4%).

Para Fernando Alves, superintendente executivo da Rede Cidadã, os dados refletem uma mudança profunda nas prioridades dos trabalhadores: “Os resultados mostram que a discussão sobre a escala de trabalho vai além do salário. Os participantes valorizam o tempo de descanso, a convivência familiar e as oportunidades de estudo e desenvolvimento pessoal. São aspectos importantes para compreender o que as pessoas buscam nas relações de trabalho”.

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O destino do dia a mais de descanso

Caso pudessem contar com um dia adicional de folga semanal, a principal destinação apontada pelos participantes foi o descanso, o lazer e a convivência familiar, citados por 69,5% dos respondentes. Em segundo lugar aparece o desejo de estudar ou fazer cursos (47,9%), superando afazeres pessoais ou domésticos (22,3%) e cuidados com a saúde e atividades físicas (20,6%). Vale destacar que a pesquisa permitia a marcação de mais de uma opção.

Em contrapartida, apenas 2,7% afirmaram que utilizariam o dia extra para trabalhar e garantir uma renda complementar.

Jornada concentrada é bem aceita e salário empata com folgas

O levantamento também testou a disposição dos trabalhadores em adotar uma jornada concentrada em cinco dias, porém com horas diárias mais longas, em substituição aos seis dias habituais, mantendo a mesma remuneração. Para 66,4% dos participantes, a troca é vista com bons olhos. Por outro lado, 24,1% rejeitariam a alternativa e 9,4% não souberam responder. Quando questionados sobre a aceitação de uma vaga 6x1 em uma nova oportunidade de emprego, 58,4% disseram que recusariam, evidenciando o desafio que as empresas enfrentam para atrair talentos nesse formato.

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Na análise dos fatores determinantes na escolha de um emprego, o salário obteve a maior nota média (4,32 em uma escala de 1 a 5), mas ficou praticamente empatado com os dias de folga por semana (4,31) e com a possibilidade de crescimento profissional (4,30). A duração da jornada diária pontuou 4,12. O equilíbrio entre as notas reforça que a decisão do trabalhador contemporâneo é pautada por um conjunto amplo de condições, e não apenas pelo aspecto financeiro.

A proximidade do tema com a realidade da população também chamou a atenção: 90,4% dos participantes afirmam conhecer pelo menos uma pessoa próxima que trabalha em escala 6x1, sendo que 74,5% conhecem duas ou mais, e 42,2% convivem com cinco ou mais pessoas nessa situação.

Estudo mostra que 75% preferem folga a salário 20% maior