EUA voltam a discutir formas de aplicar sanções contra Moraes, diz jornal
Segundo publicação do Financial Times, o motivo tem ligação com a decisão de Moraes de autorizar buscas contra um jornalista e duas pessoas apontadas como fontes em reportagens envolvendo Flávio Dino

A reportagem do jornal britânico Financial Times destaca que o governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, voltou a discutir formas de aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Segundo a publicação, o gatilho, desta vez, foram as decisões de Alexandre de Moraes de autorizar buscas policiais contra um jornalista e duas pessoas apontadas como suas fontes em reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino e seus familiares.
O ministro Alexandre de Moraes já havia sido sancionado pela lei americana Magnitsky, em julho de 2025. Na ocasião, Moraes foi acusado pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de promover uma campanha de censura, detenções arbitrárias e processos politizados.
A Lei Magnitsky é considerada, nos Estados Unidos, uma espécie de morte financeira, já que prevê o bloqueio de ativos sob jurisdição americana, além de restrições e multas a qualquer pessoa física ou jurídica que tenha transações com o sancionado ou que mantenha negócios com qualquer instituição dos Estados Unidos.
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Em dezembro de 2025, com a então melhora do relacionamento entre os presidentes Lula e Trump, as sanções foram retiradas.
Só que a trégua durou pouco. Já no início deste ano, as relações entre os dois países voltaram a se deteriorar, constituindo a maior crise entre Brasil e Estados Unidos das últimas décadas.
Segundo a reportagem, novas sanções estão em consideração, mas ainda não têm uma data definida. E não está claro se o governo americano tomará essa medida.
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Fontes ouvidas pelo Financial Times afirmam que existem muitos fatores e um padrão consistente de abuso por parte do ministro do STF. Fato é que o caso do ministro Alexandre de Moraes está inserido em uma crise muito maior entre os dois países, que têm mais de 200 anos de relações.
Os pontos de atrito vão desde a guerra comercial até as eleições brasileiras. Recentemente, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luísa Viotti. Já o governo brasileiro não aprova a indicação do embaixador americano, dizendo que os Estados Unidos atropelaram o processo diplomático.
Os dois casos, na linguagem da diplomacia, são considerados sinais muito graves do relacionamento entre os países. E tanto autoridades brasileiras quanto americanas estão tendo vistos negados para entrar nos respectivos países.
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A crise só tem aumentado, sem sinais de desaceleração. Ainda mais quando políticos dos dois países e de diferentes correntes ideológicas apostam que a briga traz benefícios eleitorais. Este ano, há eleições no Brasil e também nos Estados Unidos para o Congresso americano.
O problema dessa aposta é que ela é muito arriscada e pode ter consequências imprevisíveis.
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