Gilmar Mendes nega crise no STF
Ministro aponta falhas de gestão processual como causa de instabilidade e rebate visão alarmista sobre o Judiciário
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, rechaçou a ideia de que a Corte viva uma crise institucional permanente. Em entrevista à Band nesta sexta-feira, o ministro adotou a metáfora do “copo meio cheio” para descrever o cenário atual, ao mesmo tempo em que teceu críticas diretas à condução de processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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"Eu não vejo assim e não concordo com esses colegas nessa visão. Como eu disse no início do programa, nós temos várias formas de ver o copo, se ele está cheio, se ele está meio vazio ou se ele está meio cheio. Eu prefiro ver assim.
Para Mendes, parte da percepção de crise decorre de problemas “autocausados”, especialmente ligados à demora na tramitação de ações judiciais.
Ele citou como exemplo o caso do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
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“Nós estamos vivendo uma turbulência institucional até no Rio de Janeiro, que a meu ver é fruto de uma governança não positiva no TSE. Demorou demais para decidir o caso do governador. Tivéssemos decidido isso no ano passado, não estaríamos debatendo eleição direta ou indireta.”
O ministro reforçou a crítica ao retardo em julgamentos e mencionou casos semelhantes em outros estados. O decano também comentou a declaração da ministra Cármen Lúcia, que afirmou ser grave a crise de confiabilidade no Judiciário. Gilmar considerou a opinião da colega relevante, mas voltou a destacar que certas instabilidades são internas.
“A opinião da ministra Cármen é relevante, mas é bom deitar o olho sobre o que se passou no TSE, até para que não se repita mais. Para que não haja confusão de interesse judicial com interesse eventual, político ou até partidário. Esse retardo aconteceu tanto no caso do Rio de Janeiro como no de Roraima, em que o governador [cassado] cumpriu praticamente o mandato inteiro, saiu para se desincompatibilizar, e até hoje a ação não terminou.”
Ao ser questionado sobre o envolvimento de nomes próximos a ministros com crises financeiras, como o caso do Banco Master, Gilmar minimizou o tema, classificando-o como “lateral”, embora tenha reconhecido que o assunto pode ser debatido.
“Há tentativas de envolver o Supremo nesta crise — por exemplo, a crise do Master —, porque houve um contrato da esposa de um ministro ou porque outro ministro teve negócios com participação do banco. A mim parece que isto é lateral na grave crise que se revelou nesse escândalo financeiro. Certamente teremos a oportunidade de discutir isto. O Tribunal tem dado grandíssimas contribuições ao país. Aqui e acolá apontam uma falha, que pode existir. Não somos imunes a investigações, mas daí a tornar isto a 'grande crise da República'. Eu digo sempre que as pessoas que vêm para o STF têm que ter acumulado experiências. Eu não gosto de enfermeiro que nunca viu sangue.”
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