Política

Oinegue: entre mais ou menos Jair, dilema de Flávio é ser menos si mesmo

Flávio Bolsonaro começou essa campanha com um dilema. Ele precisava ser Jair o bastante para agradar a ala dos eleitores que admiram o pai dele, que aliás é a r

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23/07/2026 23:25 • Atualizado há 39 dias

Flávio Bolsonaro começou essa campanha com um dilema. Ele precisava ser Jair o bastante para agradar a ala dos eleitores que admiram o pai dele, que aliás é a razão pela qual ele foi escolhido, e precisava ser não Jair o suficiente para ampliar o leque de votos e conquistar uma fatia do eleitorado mais ao centro.

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Aí surgiu o "Bolsonaro vacinado", que é uma ideia que ele repetiu. Só que a vida prega peças e, se no primeiro momento parecia que o desafio era o equilíbrio entre esses dois perfis, o tempo mostrou outra coisa, que a fonte de tensão na campanha atende pelo nome de Flávio.

São as decisões que Flávio toma ou não toma, as escolhas que Flávio faz ou não faz, os caminhos que ele adota ou deixa de adotar. Tem fogo amigo, vamos combinar, em tudo que é campanha. Se não tem fogo amigo, não é campanha. Só que, Flávio, parece que não dá a atenção devida pra esse fogo amigo.

Como pode não conseguir administrar o irmão Eduardo, que briga pelas redes sociais até com a sombra? Sei lá, vai ver, ele fica nos Estados Unidos, agora ele tem green card, não tem muito o que fazer, fica passeando pelas redes sociais buscando encrenca – e o pior é que ele acha.

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Como é que pode Flávio achar uma boa ideia, fazer uma live pra ler uma carta do pai, vai validando a candidatura dele? E a lista continua. Não conseguiu fechar o apoio do PP e escutou de Ciro Nogueira, que preside o partido e foi ministro do pai dele, que o PP vai ser neutro. O mesmo vai acontecer com a União Brasil.

Sem falar que ele já não tinha conseguido convencer a senadora Tereza Cristina, que também foi ministra do pai dele, a ser companheira de chapa dele.

E teve agora a dor de cabeça de hoje, que foi a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo, de autorizar uma investigação da Polícia Federal sobre aquele financiamento do filme a respeito de Jair Bolsonaro, que levantou 11 milhões de dólares de Daniel Vorcaro a pedido de Flávio.

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O áudio de Flávio, cristalino, com o pedido, as explicações que ele deu, as reexplicações que ele deu, surpreenderam o meio político. Mas, é preciso registrar, teve uma bola dentro. Pelo menos a primeiras em semanas, que foi consertar uma crise que ele abriu com a madrasta.

Tinha saído até uma pesquisa em julho mostrando que, no desentendimento entre os dois, 42% dos entrevistados dão razão para Michelle, 18% para ele. Aí hoje, Flávio gravou um vídeo – mais um – pedindo desculpas para Michelle, depois que a ex-primeira-dama também tinha gravado um vídeo dizendo que foi humilhada por ele.

E hoje, como resposta ao vídeo que ele gravou, ela também gravou um outro vídeo aceitando as desculpas. Os dois pronunciamentos de hoje foram lidos. A dois dias a convenção do PL não deixa de ser uma boa notícia, vamos combinar.

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Como disse o presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, essa crise política é grande, mas ela não chegou às ruas. Por mais que Lula tenha aberto alguma vantagem nas simulações, Flávio segue competitivo.

De qualquer forma, é incrível que no dilema entre ser mais Jair ou menos Jair, o desafio de um candidato, no caso Flávio, seja ser menos Flávio.

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