Política
Jornal da Band

PF: Frequência de mensagens entre Vorcaro x Moraes aumentou antes da prisão

Contrato bilionário e avanço das investigações da PF revelam detalhes da proximidade entre o banqueiro e o ministro

6 min

11/09/2026 20:07 • Atualizado há 36 dias

A retirada do sigilo das investigações revelou que a frequência de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes aumentou às vésperas da primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro do ano passado. O material faz parte de um pedido de investigação contra o ministro que será decidido pelo plenário do Supremo.

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Detalhes do contrato e apuração da Polícia Federal

De acordo com o relatório da Polícia Federal, o contrato de R$ 108 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, previa consultoria estratégica sobre inquéritos na Polícia Federal. O montante total previa 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões cada, com multas estipuladas em caso de atraso nos repasses. O escritório informou que não vai comentar os detalhes do acordo.

Os investigadores apontam que Vorcaro usava a proximidade com Moraes como um ativo estratégico para obter informações reservadas e saber com antecedência sobre a possibilidade de prisão. No dia 21 de outubro de 2025, o banqueiro registrou no celular nomes de delegados que participaram de uma reunião no Banco Central.

A véspera da operação e a reação de Moraes

Na véspera da operação Compliance Zero, em 17 de novembro, Vorcaro recebeu mensagens do advogado pela manhã e alterou os planos de viagem, decidindo sair de jatinho do aeroporto de Congonhas. À noite, o banqueiro acabou preso no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em uma das mensagens, Vorcaro questionou se poderia fugir do país.

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Após a repercussão, o ministro Alexandre de Moraes reagiu e pediu ao presidente do STF a retirada do sigilo de todos os documentos do caso Master, além do julgamento do caso dele em conjunto com o de André Mendonça, sustentando que o colega atuou de forma parcial e praticou abuso de autoridade.

Envolvimento de Dias Toffoli

O relatório da Polícia Federal também apontou que o ministro Dias Toffoli seria o beneficiário final de um fundo que recebeu cerca de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro. Em nota, Dias Toffoli afirmou que jamais manteve relação de amizade ou intimidade com o banqueiro, que não movimentou valores no exterior e que toda a receita foi declarada ao fisco. O Supremo entendeu anteriormente que não havia necessidade de investigação sobre Toffoli.

Abertura de todos os documentos e determinação do STF

A investigação teve um novo capítulo na tarde desta sexta (11). A Procuradoria-Geral da República, em manifestação oficial, pediu ao STF a queda total do sigilo de todos os documentos do Caso Master. Em resposta imediata, o ministro Edson Fachin atendeu ao pedido para liberar os documentos e deu 24 horas para André Mendonça retirar o sigilo total do caso. A medida ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes afirmar que Mendonça foi seletivo e pedir a queda total de sigilo, além de Cristiano Zanin solicitar a Fachin a íntegra da investigação na posse de Mendonça.

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Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

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Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

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Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse. Relatórios apontam que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes do áudio sobre o filme, embora o parlamentar tenha classificado as suspeitas como 'mais do mesmo' após a PF revelar o novo encontro. Em outra frente de investigação financeira no exterior, a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a um fundo nos EUA.

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